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Devagar, Lula vai puxando o tapete do PSB

Jogando parado, sem se comprometer com nada, o ex-presidente prejudica as candidaturas de Alckmin, Márcio França, Doria e muitas outras

Por Ricardo Rangel Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 dez 2021, 12h40 | Atualizado em 29 dez 2021, 14h52
Devagar, Lula vai puxando o tapete do PSB Priorizar nos meus resultados Google

Alckmin ainda nem se filiou ao PSB, mas o partido já está em pé de guerra, porque o PT não se compromete nem com o suposto vice nem com coisa nenhuma.

Mas por que a surpresa?

Estranho seria se fosse diferente. Em 40 anos de vida pública, Lula nunca abriu mão de ter uma posição hegemônica. Estranho é que políticos experientes, que conhecem Lula há muito tempo, ainda se surpreendam.

Ao acenar a Geraldo Alckmin com a vaga de vice em sua chapa, Lula não estabeleceu uma parceria. O que ele fez foi o seguinte:

  • Estimulou o ex-governador a sair do PSDB, criando irritação em setores do partido e acirrando o ressentimento contra seu rival João Doria.
  • Esvaziou a candidatura de Alckmin ao governo de São Paulo.
  • Impôs ao PSB candidaturas petistas em vários estados, com destaque para a de Fernando Haddad em São Paulo, que esvazia a de Márcio França.
  • Criou um problema do tamanho de um bonde para os socialistas mais refratários ao PT, como a deputada Tábata Amaral e o prefeito do Recife, João Campos.
  • E, claro, sem nenhuma promessa concreta, estimulou a narrativa de que estava se aproximando do centro, ganhando a boa vontade de quem não estava prestando muita atenção.
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Tudo isso em troca de olhares doces e sorrisos meigos.

E se, daqui a uns meses, Lula disser que, vejam só, que pena, infelizmente não foi possível chegar a um acordo, de modo que o PT vai lançar uma chapa puro-sangue… como é que fica?

Alckmin e o PSB ficam pendurados na broxa.

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Sem espaço na chapa presidencial, sobrará para Alckmin a candidatura ao governo, lugar hoje ocupado por Marcio França. Mesmo que não haja briga, o partido terá perdido um tempo importante na articulação da candidatura. Se houver briga, a candidatura tende a se inviabilizar. Para Fernando Haddad, um cenário é excelente, o outro é maravilhoso.

E no plano nacional, preterido na vaga de vice, o que fará o PSB?

Apoiará Lula, claro. Vai fazer o quê?

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