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Ricardo Rangel

Bolsonaro e Lula: cada um com seu mensalão, cada um com seu petrolão

É interessante como mudam os governos, mas os métodos — e as moscas — se mantêm

Por Ricardo Rangel Atualizado em 18 Maio 2022, 17h11 - Publicado em 18 Maio 2022, 17h00

O PT desviou dinheiro público, via mensalão, para comprar o Centrão. O “mensalão” de Bolsonaro é evidentemente, o orçamento secreto, por meio do qual se usa dinheiro público para comprar o apoio do Centrão.

O PT interferiu no preço do petróleo para segurar a inflação e conseguir ganhos eleitorais (criou um prejuízo de 100 bilhões de dólares e basicamente quebrou a empresa).

Bolsonaro tenta interferir no preço do petróleo todo dia. Com isso espera segurar a inflação e ter ganhos eleitorais com o público em geral e, em particular, com um de seus principais grupos de apoio, os caminhoneiros. (Há outro grupo de apoio, mais discreto, que também será muito beneficiado: as milícias do Rio de Janeiro, que têm no varejo de botijão de gás nas favelas uma de suas principais fontes de renda.)

O PT aparelhou a Petrobras e, via petrolão, beneficiou empreiteiras e comprou o apoio do Centrão.

Quando Bolsonaro demitiu Roberto Castello Branco da Petrobras, o que se dizia na época é que, tanto ou mais que o preço do combustível, pesou na decisão a resistência do então presidente em permitir mau uso da verba de publicidade.

Quando o general Silva e Luna foi demitido, Bolsonaro tentou emplacar Adriano Pires na presidência e Rodolfo Landim no conselho. Não conseguiu: Landim e, aparentemente, Adriano, eram ligados ao empresário Carlos Suarez, dono de oito distribuidoras de gás, que tinha pendências com a petroleira, configurando um conflito insanável.

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A jornalista Malu Gaspar, de O Globo, revela que Bolsonaro instalou “espiões” na Petrobras, e pressiona para a substituição de nada menos do que três diretores. Dois desses diretores nada têm que ver com preço de petróleo, e um deles controla os contratos de… publicidade.

Está claro que o interesse de Bolsonaro no setor de óleo e gás, como o do PT, vai além do controle de preço. Parece ir além até da Petrobras.

Dentro do projeto de modernização do sistema elétrico — cujo relator é o deputado Fernando Coelho Filho, filho do senador Fernando Bezerra, ex-líder do governo Bolsonaro — há um “jabuti” para a construção de gasodutos no valor de 100 bilhões de reais com dinheiro público.

O jabuti cai do céu para Carlos Suarez, que, além de ter distribuidoras, é detentor de quatro autorizações para construção de redes de gasodutos. Arthur Lira acertou de dar urgência ao projeto e ao jabuti. O almirante Bento Albuquerque, ex-ministro das Minas e Energia, que se opunha ao que já se chama de “Centrãoduto”, foi demitido sumariamente.

Em tempo: Carlos Suarez é fundador da empreiteira OAS (ele é o “S”), uma das maiores beneficiadas no petrolão. Em seu acordo de leniência, a OAS, que hoje se chama Metha, ressarciu os cofres públicos em R$ 1,92 bilhão.

Os presidentes mudam. Os métodos se mantêm similares. As moscas permanecem as mesmas.

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