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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Serra, o voto distrital e o gosto de cada um. Ou: Quem pede a aposentadoria de quem

Apontei aqui ontem, analisando um texto opinativo da Folha, a histeria anti-Serra e anti-Alckmin que toma conta de setores da imprensa paulistana. Não me lembro de ter visto coisa parecida. Os dois políticos são tratados por certos “analistas” como se fossem usurpadores do mandato popular e nunca tivessem sido eleitos por ninguém. Essa gente nunca pediu […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 06h58 - Publicado em 29 jan 2013, 06h33

Apontei aqui ontem, analisando um texto opinativo da Folha, a histeria anti-Serra e anti-Alckmin que toma conta de setores da imprensa paulistana. Não me lembro de ter visto coisa parecida. Os dois políticos são tratados por certos “analistas” como se fossem usurpadores do mandato popular e nunca tivessem sido eleitos por ninguém. Essa gente nunca pediu a aposentadoria de Paulo Maluf. Essa gente nunca pediu a aposentadoria de José Sarney — era colunista da Folha até outro dia, se a memória não me trai. Essa gente nunca pediu a aposentadoria de Lula, que decide candidaturas e dá aulas de gestão para o prefeito Fernando Haddad e para auxiliares de primeiro escalão de Dilma. Mas praticamente exige, como se houvesse alguma legitimidade ou sentido, a aposentadoria de Serra.

Além do petismo quase militante presente nas redações, há, claro, as frações do tucanato que se dedicam à fofoca e à delinquência política. Até parece que o PSDB está em condições de hostilizar um dos fundadores do partido e um dos políticos mais tecnicamente preparados do país. Mas a hostilidade existe, sim, em certos nichos e se converte em maledicência nas colunas de notas. Petistas podem se odiar — e há ódios incontornáveis por lá, saibam disso. Mas evitam a prática do tiro ao alvo contra aliados de partido, esporte predileto de alguns tucanos. O resultado é o que se vê. Adiante.

No texto que comentei ontem, o autor, Ricardo Mendonça, emprestava quase tom de denúncia ao fato de que Serra havia sido convidado para dar uma palestra sobre sistema eleitoral brasileiro na sede do diretório estadual do partido. Por alguma, razão, Mendonça achou o convite descabido. Por alguma razão, pareceu-lhe impróprio o convite feito a um dos fundadores do PSDB, deputado constituinte, senador, ministro, prefeito da capital, governador e duas vezes candidato à Presidência. Onde já se viu uma coisa dessas?

É que ele estava anunciando uma descoberta, tanto que exclamou: “Bingo!”. Segundo disse, no encontro de hoje, os aliados de Serra o lançariam como pré-candidato à Presidência, e Mendonça, que não censura Lula por ter disputado cinco vezes a Presidência (e uma o governo de São Paulo), acha que Serra já foi candidato demais! Como antevi aqui, no encontro desta segunda, nem se tocou em 2014, e o ex-governador, indagado a respeito, se negou a falar sobre o assunto.

Voto distrital
Serra falou, isto sim, em defesa do voto distrital, uma tese abraçada por este blog há muito tempo, como sabem. Fez o elenco das vantagens do modelo: 1) barateia as campanhas uma vez que o deputado disputa a eleição num colégio menor de eleitores; 2) aproxima o representante do representado; 3) torna a representação mais justa.

G1 tem de fazer uma correção
O Portal G1 publicou uma reportagem correta sobre a intervenção do tucano, mas cometeu um erro. Está escrito lá:

“Por último, a representatividade regional, no caso Brasil, acaba sendo desproporcional, já que um estado como São Paulo, por exemplo, tem metade do eleitorado do país, mas elege apenas um quarto dos deputados, segundo Serra.”

Serra, evidentemente, não disse isso porque o estado de São Paulo nem tem metade do eleitorado nem um quarto da Câmara. Fosse assim, em vez de 513 deputados, haveria apenas 280… O ex-governador afirmou outra coisa: a Grande São Paulo tem metade do eleitorado do estado e elege apenas um quarto da Assembleia Legislativa.

É a primeira intervenção pública de Serra depois da eleição municipal. Aos jornalistas, disse estar em “fase de descanso e arrumação” e afirmou que voltará a tratar de política em março ou abril. Os que apreciam a biografia de Maluf, Sarney e Lula nunca lhes pediram que se aposentassem. Eu, com ênfase, cobro que Serra não se aposente.

Cada um com seu gosto.

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