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Reinaldo Azevedo

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PCC, Bastos e Mercadante: “Non pasarán!”

Desde quando eu escrevia em Primeira Leitura, vocês sabiam, Márcio Thomaz Bastos era o ministro deste governo que mais me irritava. Eu detesto aquele seu jeito de pavão incompetente, aquele seu ar de Bel’Antonio da Justiça. Ocorre que essa gente tem método. Vejam aí: o PCC voltou a fazer ataques em São Paulo. Horas antes […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 23h21 - Publicado em 7 ago 2006, 16h06
Desde quando eu escrevia em Primeira Leitura, vocês sabiam, Márcio Thomaz Bastos era o ministro deste governo que mais me irritava. Eu detesto aquele seu jeito de pavão incompetente, aquele seu ar de Bel’Antonio da Justiça. Ocorre que essa gente tem método. Vejam aí: o PCC voltou a fazer ataques em São Paulo. Horas antes de eles terem início, o ministro estava numa solenidade pública com o petista Aloizio Mercadante. Os dois produziam confusão estatística sobre crimes (ver nota publicada abaixo) em São Paulo e ameaçavam — a palavra é esta — implementar no Estado a mesma prática que existe no governo federal. Está demonstrado abaixo que o PT e Bastos são os principais responsáveis pela crise de segurança pública em São Paulo e no Brasil. Mas eles querem oferecer ajuda. Deus nos guarde!
Mal os dois petistas haviam fechado a boca sobre assuntos de que notoriamente não entendem, Marcola decidiu botar pra quebrar de novo. A dupla apontou os “erros” da política de segurança. Atuaram, digamos, na esfera conceitual, e o PCC resolveu provar com atos o que os outros tentaram evidenciar com palavras. “Verba mouent; exempla trahunt”, para lembrar o latim que Bastos quase aprendeu na escola: as palavras movem; os exemplos empurram. Ou traduzindo em melhor português: os fatos são mais convincentes do que as palavras.
Não, não creio que petistas e PCC tenham combinado alguma coisa por telefone. Mas afirmo que o PCC não ignora o timing dos ataques que ordena e que Bastos e Mercadante não ignoram que fazer proselitismo com segurança pública pode até render voto — voluntária ou não, a colaboração do PCC é real, é um dado da realidade.
Bastos, nesta segunda, diz que ele também, ministro da Justiça, o homem cuja segurança pessoal só não é tão bem guardada quanto a do presidente da República, está com medo. É uma declaração vergonhosa, acintosa. O nosso Churchill chegou e, em vez de “sangue, suor e lágrimas”, resolveu dizer que estava se borrando todo. É uma piada macabra. Mais: disse que, caso São Paulo tivesse aceitado a ajuda das Forças Armadas, talvez a coisa tivesse se resolvido. Ele está falando de Forças Armadas agora. Antes, oferecia uma ficção chamada Força Nacional de Segurança, que, na prática, não existe.
Já é inaceitável que Bastos, ontem, tenha participado de um ato eleitoral de Mercadante. Ok, ele pode alegar que era domingo e que estava em seu dia de folga. Não existe “folga” para o chefe da Polícia Federal. Mas, ainda que a gente conceda que se comporte com tamanha sem-cerimônia, que hoje, ao menos, ficasse caladinho. Não! Fala pelo cotovelos. E, mostrando que tem um particular senso de humor, diz que a questão da segurança não pode ser objeto de disputa eleitoral. Não pode? E o que ele fazia ontem, ao lado de Mercadante? O homem que, em 2005, repassou para a segurança de São Paulo um quarto do que Lula gastou com o seu avião não fica corado em fazer exploração eleitoral da violência e, menos de 12 horas depois, censurar os que fazem, vejam só!, fazem exploração eleitoral da violência… Eles não têm limites. Não sei se vai dar para varrer esta raça do Brasil. Mas, em São Paulo, non pasarán!

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