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Padilha recusa convite de Dilma

Por Gabriel Castro e Marcela Mattos, na VEJA.com: Convidado pela presidente da República, Dilma Rousseff, para assumir a Secretaria de Relações Institucionais, o atual ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, não deve trocar de cargo na equipe ministerial. A ida de Padilha para a articulação política do governo Dilma não é unanimidade no PMDB e […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 01h41 - Publicado em 7 abr 2015, 13h54

Por Gabriel Castro e Marcela Mattos, na VEJA.com:

Convidado pela presidente da República, Dilma Rousseff, para assumir a Secretaria de Relações Institucionais, o atual ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, não deve trocar de cargo na equipe ministerial. A ida de Padilha para a articulação política do governo Dilma não é unanimidade no PMDB e enfrenta resistências na bancada parlamentar do partido.

Embora ainda não tenha dito “não” oficialmente a Dilma, Padilha se recusou a assumir um cargo de maior importância política no primeiro escalão. O Palácio do Planalto já sabe que Padilha não aceita a troca, mas também não dá o caso como encerrado e tenta convencer o peemedebista. O esforço tem a participação do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB). Padilha é um dos ministros de Dilma que possui mais proximidade com o vice-presidente.

Nos bastidores, a decisão de Padilha é justificada pela influência direta do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que não deu aval para sugestão de transferir o peemedebista para o Palácio no Planalto. De acordo com deputados do partido, o atual ministro da Aviação, caso aceitasse o convite de Dilma, passaria a servir apenas como um “capacho” do governo, tendo de defender interesses que muitas vezes vão de encontro ao da base governista.

Cunha minimizou o convite de Dilma a Eliseu Padilha. Segundo ele, houve apenas uma sondagem. Cunha disse que uma eventual mudança na articulação política não pode ser colocada “na conta como se fosse um pleito da legenda” e nem que “a articulação vai funcionar se for do PMDB”.

Eduardo Cunha ressaltou que o partido não pediu o cargo oferecido a Padilha e criticou a articulação do Planalto: “Já está mais do que provado que o formato atual não está funcionando”, disse.

Líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ) reiterou que a posição da bancada é pela redução da quantidade de ministérios no governo, hoje com 39 pastas. “Nós estamos discutindo a redução das pastas ocupadas pelo partido, e não a sua ampliação. A Secretaria de Relações Institucionais não é um pleito da bancada do PMDB na Câmara. Eu acredito que o ministro não aceitaria essa tarefa”, afirmou.

A presidente convidou Padilha para ocupar o lugar do petista Pepe Vargas nas Relações Institucionais justamente com o objetivo de melhorar a interlocução com o PMDB no Congresso. Tanto no Senado quanto na Câmara, entretanto, parlamentares da sigla continuam cobrando mais espaço no governo.

Além de considerar que teria pouca autonomia no posto, Padilha atua como porta-voz pela nomeação de Henrique Eduardo Alves como ministro do Turismo. A nomeação do ex-presidente da Câmara, entretanto, esbarra nos interesses do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que ficaria sem o seu indicado (Vinícius Lages) no comando do Turismo. Para nomear Alves, Dilma teria de abrir lugar para um indicado de Renan.

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