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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Marco Aurélio Top Top: “Se vocês, jornalistas, quiserem outra coisa, criem um partido”

Leiam outro editorial do Estadão, este sobre o programa de governo do PT: À moda do PT Seria inacreditável, não fosse notória, a falta de cerimônia com que os petistas criam verdades ao sabor de seus interesses de momento e imaginam que tudo possa ser aceito acriticamente pela opinião pública. Das duas, uma: ou subestimam […]

Por Reinaldo Azevedo 28 out 2010, 07h23 | Atualizado em 31 jul 2020, 13h48
Marco Aurélio Top Top: “Se vocês, jornalistas, quiserem outra coisa, criem um partido” Priorize VEJA no Google

Leiam outro editorial do Estadão, este sobre o programa de governo do PT:

À moda do PT

Seria inacreditável, não fosse notória, a falta de cerimônia com que os petistas criam verdades ao sabor de seus interesses de momento e imaginam que tudo possa ser aceito acriticamente pela opinião pública. Das duas, uma: ou subestimam o discernimento das pessoas ou estão se lixando para ele. Na verdade, valem as duas hipóteses: na primeira, confiam no nível de instrução da massa de seus eleitores, conforme demonstram os mapas eleitorais; na segunda, estão se lixando mesmo. A divulgação, numa reunião improvisada a cinco dias das eleições presidenciais, de Os 13 compromissos programáticos de Dilma Rousseff foi o de sempre: puro jogo de cena. A propósito, o candidato José Serra nem se deu ao trabalho de elaborar um programa para fins de campanha. Limitou-se a reunir seus próprios discursos a respeito de temas variados e apresentá-los ao TSE no cumprimento de uma exigência legal. Lamentável.

Mas voltemos aos “compromissos programáticos” da candidata de Lula.

Para começar, o documento, na verdade uma simples carta de intenções que dribla cuidadosamente qualquer tema polêmico, é um amontoado de obviedades (13 itens, que tanto poderiam ser 10 ou 20, se a intenção não fosse associar a coisa ao número eleitoral do PT), aos quais ninguém sensato pode se opor. Belos propósitos como “crescer mais, com expansão do emprego e da renda”, “erradicar a pobreza absoluta” ou “governar para todos os brasileiros”. Tantas generalidades que o presidente nacional do partido se viu constrangido a explicar que “ações mais concretas” constarão de “cadernos setoriais” que – detalhe – não serão divulgados antes de 31 de outubro. Ou seja, são perfeitamente inúteis para lançar alguma luz sobre o debate eleitoral. Mas certamente de grande utilidade na geração de imagens para os últimos dias do horário gratuito na televisão.

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Mas se nada esclarece quanto a questões polêmicas – embora não necessariamente as mais relevantes – que andaram aquecendo o bate-boca das últimas semanas da campanha eleitoral, tanto o “documento” divulgado como as atitudes e declarações da candidata e de dirigentes petistas por ocasião do evento confirmam a competência da companheirada de Lula na arte da engabelação que aprenderam com o chefe. Não têm o menor pudor de dar o dito por não dito ou de contrariar evidências. E perseveram na megalomania, escancarada logo na abertura do texto: “Há quase oito anos, o Governo Lula deu início a profundas transformações econômicas, sociais e políticas em nosso país. (…) O governo do Presidente Lula conseguiu, pela primeira vez em nossa história, articular crescimento da economia com forte distribuição de renda, inclusão e ascensão social.” Ou seja, os petistas não admitem compartilhar com toda a Nação – muito menos com governos anteriores – o crédito pelos inegáveis avanços econômicos e sociais obtidos nos últimos anos, porque isso está acontecendo, graças a eles, “pela primeira vez em nossa história”. Antes de Lula foram cinco séculos perdidos. Já quanto às transformações políticas, não há referências mais específicas, o que certamente não faz justiça ao importante papel desempenhado na base de sustentação de Lula por José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Paulo Maluf, Fernando Collor e outros que tais.

A própria candidata sustentou, na ocasião, que é sua intenção, se eleita, zelar pela “qualidade dos serviços públicos prestados por um Estado cada vez mais meritocrático e profissional”. Deve ter deixado a companheirada de cabelo em pé.

Mas a nota mais pitoresca do evento foi a participação de Marco Aurélio Garcia – cuja admiração incontida por Hugo Chávez, Evo Morales, Mahmoud Ahmadinejad e companhia diz o suficiente – ao desafiar os repórteres: “Fizemos uma opção muito clara por um documento sintético. Se você faz um documento muito longo os únicos que vão ler são vocês (sic), jornalistas, para tentar descobrir um probleminha aqui, outro ali. Se vocês quiserem outra coisa, criem um partido e façam diferente.” Gente fina.

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