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Crivella leva no Rio; quase a metade dos eleitores rejeitou “A Escolha de Marcelo”

Com 99% dos votos apurados, os que não quiseram ninguém são 314.451 a mais do que os que optaram pelo vitorioso. Só os ausentes são 151.242 a mais do que os eleitores de Freixo

Por Reinaldo Azevedo
Atualizado em 30 jul 2020, 21h27 - Publicado em 30 out 2016, 19h19

Marcelo Crivella (PRB) é o prefeito eleito do Rio. Obteve 59,36% dos votos válidos, contra 40,64% de Marcelo Freixo (PSOL). O que dizer? Quando menos, isto: dos males, o menor. Entre as duas igrejas, a de Edir Macedo ainda é melhor que a do socialismo, de Freixo, com suas ideias de anteontem. Mais: no segundo turno, conseguiu apoio dos não-esquerdistas que disputaram o primeiro.

Aliás, Freixo só chegou ao segundo turno em razão de uma anomalia: os votos centristas e conservadores se dividiram. E o candidato do PSOL acabou passando para a segunda etapa. A verdade é que a extrema esquerda do Rio obteve, na primeira jornada, apenas 18,26% dos votos com Freixo, ou 553.424 — muito menos do que os 914.082 do primeiro turno de 2012: 360.658 a menos. O que isso significa? Ora, o PSOL encolheu em vez de crescer, à diferença do que se diz por aí. Na outra ponta, a extrema direita levou 14% do total, com Flávio Bolsonaro.

A “vermelha” mais bem colocada, depois de Freixo, foi Jandira Feghali (PCdoB), com 3,34%, em sétimo lugar.

Crivella acabou liderando na primeira etapa entre os centristas, ficando com 27,78% das escolhas. Ocorre que, do terceiro ao quinto lugar, havia 47,73% dos votos — e os candidatos todos eram não esquerdistas: Pedro Paulo (PMDB), Flávio Bolsonaro (PSC), Índio da Costa (PSD) e Carlos Osório (PSDB).

A campanha no Rio acabou ficando bastante acalorada, mas para o mal. Freixo, o socialista, ignorou solenemente os problemas da cidade para acusar seu adversário de pertencer a um projeto maligno de poder, que seria liderado, na verdade, pela Igreja Universal. Crivella também passou por cima da cidade e preferiu dizer que seu oponente é um partidário da revolução bolchevique.

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Já os bolcheviques do Leblon, Ipanema e Copacabana resolveram trazer à luz algumas ideias jurássicas que Crivella espalhou em livro, todas já devidamente abjuradas. Como de hábito, os homossexuais acabam sendo usados de escudos humanos da impostura — já explico o que quero dizer com isso.

Bem, aconteceu o esperado: Crivella ganhou: 1.700.030 votos. O primeiro turno havia deixado claro que a maioria da população do Rio não queria um governo de extrema-esquerda. Mas é evidente que também a insatisfação dos cariocas com os dois Marcelos ficou patente. Em 2012, os votos de Eduardo Paes (2.097.733) e Freixo (914.082), no primeiro turno, somavam 3.011.815. Neste ano, em segundo turno, os candidatos do PRB e do PSOL obtiveram 2.863.692.

As abstenções somam 1.314.950 (26,85%), mais do que o total obtido por Freixo (1.163.662). Os brancos são 149.866 (4,18%), e os nulos, 569.536 (15,90%). Ou por outra: 46,93% dos eleitores cariocas rejeitaram a “Escolha de Marcelo”. Quase a metade não quis saber nem de um nem de outro.

Dito de outro modo, Crivella obteve, então, 1.700.030 votos. Abstenções, brancos e nulos somam 2.034.352.  Vamos fazer as contas: os que não quiseram ninguém são 334.322 a mais do que os que optaram pelo vitorioso. Só os ausentes são 151.288 a mais do que os eleitores de Freixo.

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Não é algo de que a Cidade Maravilhosa deva se orgulhar. Para encerrar: Crivella obteve, no segundo turno, 397.703 votos a menos do que Eduardo Paes, reeleito em 2012, conquistara no primeiro.

Quem analisou com propriedade e humor a situação eleitoral do Rio foi Thiago Pavinatto, um dos coordenadores do MBL, no vídeo abaixo. É dele a expressão “A Escolha de Marcelo”. Assistam.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=P3tk7AjUA80?feature=oembed&w=500&h=281%5D

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