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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Aplausos para os tucanos! Os campeões morais…

Por Elizabeth Lopes, da Agencia Estado. Volto depois: Lideranças do PSDB admitiram hoje a possibilidade de negociar com o governo federal a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Depois de um encontro no Palácio dos Bandeirantes, o líder da legenda no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que seu partido está “aberto às negociações”, […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 20h17 - Publicado em 19 out 2007, 16h30

Por Elizabeth Lopes, da Agencia Estado. Volto depois:

Lideranças do PSDB admitiram hoje a possibilidade de negociar com o governo federal a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Depois de um encontro no Palácio dos Bandeirantes, o líder da legenda no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que seu partido está “aberto às negociações”, desde que o governo federal tome a iniciativa de apresentar uma pauta mínima que inclua a redução da carga tributária, a redução dos gastos correntes e a desoneração de impostos e tributos.

Virgílio alertou que o governo federal “já perdeu muito tempo” e que a “paciência dos tucanos em relação à carga tributária do País está se esgotando”. Além disso, Virgílio destacou que sem os votos do PSDB no Senado o governo federal não conseguirá aprovar a prorrogação da CPMF. “Apenas um lembrete estatístico: sem a nossa ajuda, nunca, em matéria nenhuma, o governo obteve maioria (49 votos)”, disse.

Virgílio disse também que sua legenda vai esperar a iniciativa do governo neste sentido. “Queremos aguardar as propostas do governo depois vamos elencar as nossas”, disse. E ironizou: “Se o governo não quiser negociar, facilita o nosso trabalho, porque sem a nossa ajuda ele não terá os 49 votos necessários”. Além de Virgílio, participaram da reunião no Palácio dos Bandeirantes os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), o líder do PSDB na Câmara, Carlos Pannunzio, o presidente nacional da legenda, Tasso Jereissati, e o senador Sérgio Guerra (PE).

Voltei
Não quero usar o caso para a mitologia — mínima — pessoal. Mas realmente fico impressionado quando dizem que sou tucano. Como se vê, não sou. É claro que o senador Arthur Virgílio, que é um homem correto, ao destacar que o governo sempre precisa dos votos do PSDB, está tentando deixar claro que a arrogância de Lula e do PT é imotivada, que o seu partido não aposta no “quanto pior, melhor”, essas coisas… Mas também há outras leituras possíveis, não é? Uma delas é esta: os tucanos são sócios do poder.

Mas sócios na hora de pagar a conta, não de partilhar os dividendos, estes todos privatizados por Lula, que os usa como símbolo de tudo o que houve de errado no país antes do “Advento”. E o “advento” é Lula. Alguém poderá lembrar que, afinal, os três nomes que hoje lideram as pesquisas de intenção de votos, com uma boa vantagem de Serra, são tucanos. Seria o efeito positivo deste partido sempre tão disposto a colaborar?

Bem, em primeiro lugar, cumpre não absolutizar pesquisas feitas a três anos das eleições. Em segundo lugar, é claro que voto majoritário tem a marca muito forte do candidato — daí que o prestígio de Lula, até agora, não seja transferido para nenhum petista. Em terceiro lugar, a campanha eleitoral ainda não começou.

Esse co-estrelado reivindicado por Arthur Virgílio, entendo, é mais um problema do que propriamente uma solução. Os tucanos sempre poderão dizer que dispõem de nomes melhores e mais capazes do que o petismo. Entendo que é preciso deixar claro que têm também outros valores já testados e aprovados. O partido não soube, em campanhas passadas, defender seu patrimônio. E, lamento dizer, tudo indica, não sabe ainda (veja post seguinte). Está muito ocupado tentando provar ao PT que é moralmente superior.

Vejo-me obrigado a lembrar aos tucanos uma lição correta de Karl Marx, um grande cínico, de A Ideologia Alemã. Na disputa pela Alsácia-Lorena entre alemães e franceses, o furunculoso observa que os primeiros tentavam ocupar a região com a sua filosofia; os segundos, com colônias. Os franceses ganharam. Não basta pensar melhor. É preciso que esse pensamento tenha efeitos práticos. De preferência, que não fortaleçam só o adversário.

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