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Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Gustavo Maia, Laísa Dall'Agnol e Lucas Vettorazzo. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

O único ponto em que os institutos de pesquisa concordam

Com a eleição ainda distante, as pesquisas servem para animar as torcidas e dar argumentos aos partidos na barganha de poder, mas só

Por Robson Bonin Atualizado em 30 Maio 2022, 09h10 - Publicado em 27 Maio 2022, 11h39

Parte da bolha que este colunista acompanha nas redes foi dormir na quinta gritando de raiva ou de euforia com o Datafolha que deu Lula a quilômetros de Jair Bolsonaro na corrida ao Planalto. Todo tipo de teoria surgiu depois do resultado.

Nesta sexta, o Ipespe mostrou como é duro o trabalho dos institutos nessa missão de antecipar a escolha pessoal que milhões de brasileiros farão, na solidão da urna, em outubro. O instituto mostrou nesta sexta que Lula segue na liderança, mas a distância em relação a Bolsonaro não é tão definitiva como o cenário de quinta. Petistas escolherão acreditar num instituto; bolsonaristas, em outro.

Com o calendário eleitoral estacionado à espera da campanha, que só começará oficialmente em 16 de agosto, as pesquisas servem para isso mesmo: animar as torcidas organizadas nessa polarização entre petistas e bolsonaristas, para massacrar a minguada terceira via e para dar munição aos partidos que ainda barganham entre si os espaços de poder na formação de alianças.

A única coisa com que as pesquisas concordam, nesta fase, é que o país caminha para uma eleição entre o antipetismo e o antibolsonarismo. O candidato que, em outubro, embrulhar menos o estômago do eleitor terá mais chances de levar a faixa.

Os presidenciáveis até aqui posicionados também repetem uma mesma frase: “Até outubro, tudo pode acontecer — inclusive nada”. A terceira via sonha com um milagre, uma imagem que arrebate o eleitorado e derrube a lógica atual dos números.

Lula e Bolsonaro, com suas torcidas cativas, trabalham para que tudo fique como está: a resistência de ambos a participar dos debates é prova disso. A polarização alimenta os dois, ajuda os dois. Um precisa do outro para seguir vivo na disputa. No segundo turno…

Lula nunca venceu uma campanha no primeiro turno. Nunca enfrentou um oponente como Bolsonaro, com uma cartilha de atrocidades políticas rara, mas com inegável apoio em sua origem popular. Parte do país deplora a figura do presidente, mas a verdade é que ela é o retrato do que outra parte da sociedade sempre pensou e praticou distante da posição dominante de poder.

Lula aposta alto ao tentar voltar ao Planalto sem reconhecer os erros e a corrupção dos seus governos. Se não fez nada errado no passado, como prometer fazer diferente no futuro? Bolsonaro fez o que quis no Planalto, sem se importar com nada nem ninguém. As mortes na pandemia, a instabilidade institucional, o encolhimento dos poderes do Executivo diante do lobby do Legislativo, a corrupção e a crise econômica que lhe tiram votos agora são resultado dessa escolha diária do presidente pelo “dane-se, vou ali andar de moto ou de jet ski”.

Bolsonaristas e petistas são parecidos numa coisa: absolvem o que há de pior nos seus ídolos e tentam convencer o restante do país de que a sua visão de mundo é o melhor destino disponível. Nesse campo, aliás, é sempre melhor não avançar para não estragar o churrasco de domingo da família.

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