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Por Felipe Branco Cruz
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A verdade indigesta sobre o caótico show de Taylor no Rio

De proibição de água, queimaduras de chão metálico e ventilação interrompida: como organização brasileira transformou evento em teste de sobrevivência

Por Amanda Capuano Atualizado em 9 Maio 2024, 20h00 - Publicado em 20 nov 2023, 10h47

Era pra ser um final de semana dos sonhos, mas acabou virando pesadelo e angústia para milhares de pessoas. Na última sexta-feira, 17, Taylor Swift subiu ao palco do Engenhão para a primeira de seis apresentações da turnê The Eras no Brasil. Nas cadeiras do estádio o calor era intenso, mas foi o que se desenrolou na pista que expôs com toques de crueldade a ganância e o descaso do mercado da música brasileira com os fãs.

Logo no início da apresentação, Ana Clara Benevides, uma fã de 23 anos, que veio do Mato Grosso do Sul para realizar o sonho de ver a cantora, desmaiou na grade da pista premium e teve que ser atendida com urgência. Ana foi levada para um hospital da região com uma parada cardiorrespiratória, mas não resistiu e faleceu durante a noite. No estádio, estima-se que a sensação térmica tenha causado cerca de 1.000 desmaios ao longo do show, mas o calor não é o único culpado da tragédia: uma série de erros e escolhas da produtora do show, a T4F, intensificaram a situação.

Mesmo com a previsão de calor extremo, a organização vetou a entrada de garrafas de água no estádio, alegando que a proibição é uma exigência de órgãos públicos. A afirmação não é de todo verdade. O Código de Defesa do Consumidor define que o público pode levar água, desde que esteja de acordo com as restrições de segurança, como em copos plásticos lacrados. Depois da tragédia, o ministro Flávio Dino alterou a portaria, tornando obrigatória a distribuição de água gratuita e permitindo a entrada com garrafas. A proibição, no entanto, é uma prática comum em grandes eventos e movimenta um mercado paralelo: dentro do estádio, copos pequenos eram vendidos por 8 reais. Além do preço salgado, eles não chegavam a todos: em diversos momentos, Taylor parou o show para pedir que levassem água a fãs que pediam ajuda. “Está muito quente, se eles estão pedindo água é porque precisam de água”, disse ela. Pouco depois, a própria cantora pegou uma garrafa e jogou para outro grupo próximo à grade.

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A falta de água não foi o único problema. Nas redes sociais, fãs relatam queimaduras graves ao caírem no chão da pista, que foi recoberto com um material metálico mesmo com a previsão de calor extremo. Em um dos relatos, uma fã denunciou que os enfermeiros e médicos no local tentaram esconder a situação da equipe de Taylor. “O médico responsável levantou a minha perna para confirmar para o chefe de segurança da Taylor e disse que eu estava com feridas e escoriações. Com muita insistência, ele confirmou a queimadura”, diz a publicação, que traz fotos de queimaduras claras. Outro fator que intensificou a situação foi o uso inadmissível de tapumes nas aberturas de ventilação do estádio que permitiriam a circulação de ar, abafando ainda mais o local.

Com a morte de Ana e a movimentação dos fãs nas redes sociais, a empresa liberou no sábado a entrada com água e retirou os tapumes do local. Bombeiros também foram movimentados para a fila para refrescar os fãs com mangueiras e o efetivo de seguranças e brigadistas foi aumentado. Não adiantou: quando boa parte dos fãs já estava dentro do estádio, a apresentação foi adiada para segunda-feira por causa do calor extremo — decisão acertada, mas que poderia, e deveria, ter sido tomada bem antes. Para piorar a situação, os pais de Ana Benevides falaram ao Fantástico que não receberam nenhuma ajuda para arcar com o translado do corpo da filha para a cidade natal — agora, fãs se movimentam nas redes sociais para cobrar apoio da produtora à família e também da equipe de Taylor, que não falou diretamente sobre o assunto nem entrou em contato com a família.

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Além da ganância das grandes empresas, o caso também ilustra uma espécie de romantização do perrengue em grandes eventos brasileiros. Dias antes do show, fãs tentaram puxar uma campanha pedindo apoio da produtora para amenizar os riscos do calor. “Sabemos que não é obrigação, mas pedimos que considerem a possibilidade de oferecerem suporte aos fãs que estão enfrentando e vão enfrentar as filas para realizar o sonho de ver seu artista favorito, seja com distribuição de água, montagem de abrigos contra o sol, organizando as filas para que fãs possam se locomover etc.” O pedido foi feito com base em relatos de fãs do RBD, que também sofreram com o calor nas apresentações. O apelo, no entanto, não só foi ignorado como virou motivo de deboche nas redes sociais, com pessoas acusando o público de ser fraco e frescurento. Com as medidas aplicadas e a temperatura mais amena, Taylor se apresentou novamente no domingo, dessa vez sem mais problemas, mostrando que, se os alertas de calor tivessem sido levados com a devida seriedade, a situação poderia ter sido bem diferente. Infelizmente, precisou uma morte para mostrar que show nenhum deveria ser um teste de sobrevivência. 

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