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Ciro de volta: Mordaz com Bolsonaro, duro com Lula, omisso com o Ceará

Com faca nos dentes

Por Vitor Hugo Atualizado em 30 jul 2020, 20h02 - Publicado em 12 jan 2019, 12h00

Pavio um pouco mais comprido separando-o da dinamite que carrega aonde vai e em qualquer lugar onde esteja; língua mais contida, mas polêmico sempre: Ciro Gomes, – o sumido candidato derrotado do PDT e de parte “das esquerdas sem pai nem mãe”, no primeiro turno das eleições presidenciais passadas,-  voltou.  Com faca nos dentes, menos de uma semana depois  da posse do novo presidente da República, o ex-ministro trombador de Lula, ex-governador do Ceará (estado envolto em chamas, tensão, insegurança e caos tocados pelo crime organizado em desafio flagrante, que dá ao ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro, possibilidade de fazer a diferença no novo governo), escolheu o jornal  El Pais para marcar seu retorno ao cenário maior do debate nacional.

Em Fortaleza, instalado seguro e confortavelmente no amplo apartamento, com vista majestosa para o mar da praia de Iracema – onde reside e recebe o repórter Florestan Fernandes Jr –, o político faz o de sempre: conversa, esbraveja, atiça e atira em várias direções. Transmite nítida impressão de que tem pressa e necessidade de preencher espaços políticos e de poder que ele imagina vazios. Demonstra, de forma mais patente – anota o próprio diário espanhol – que tentará preencher o lugar principal de líder da oposição. “O PT já foi. Agora eles encontraram alguém que tem coragem de encará-los. Eu sou pós PT”, diz Ciro, com habitual fanfarronice, a certa altura da conversa.

O irmão de Cid – o sincero demolidor da campanha petista de Fernando Haddad, no segundo turno – faz cobranças ácidas e críticas que beiram ao insulto a Bolsonaro e seu governo recém empossado. Ataca, sem trava retórica, o ex-chefe, Luis Inácio Lula da Silva (PT) , (na cadeia em Curitiba): “Preso comum. Se fosse um preso político não tinha que recorrer aos tribunais . Lula  não é condenado pelo Sérgio Moro, que eu sempre critiquei. É condenado por unanimidade pelo TRF 4”, avança, mirando a jugular do preso.

Mas quando o assunto é a desordem e o caos sem tamanho no seu Ceará, que saiu do controle no fim do ano passado e se mantém, ainda nestes primeiros 10  dias de 2019, comandados de dentro dos presídios, o incendiário político, aliado fundamental na eleição do atual governador petista de seu estado, vira bombeiro. Pia fino, para dizer o mínimo, no linguajar típico do entrevistado.

El Pais informa, na apresentação, que a entrevista foi feita no dia 2 de janeiro. Dois dias depois a assessoria de Ciro Gomes foi procurada para que falasse “sobre a crise de segurança no Ceará, governado pelo seu aliado Camilo Santana (PT). Ciro informou que preferia aguardar alguns dias “para ter mais informações e poder emitir sua opinião”. Na quarta-feira, 9, parece ter caído em si sobre tão estranha e insólita omissão. Deu entrevista na Rádio Assunção, de Fortaleza, para dizer que “a lei brasileira é fraca diante dessa novidade que é o crime organizado, mas o governo do Ceará vai partir para cima”.

Um irônico  francês, de passagem pela Praia do Futuro, jóia turística da capital cearense, às moscas, seguramente diria:“Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas”.

Nada a acrescentar. Só seguir observando para tentar entender e ver onde tudo isso vai dar.

 

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br 

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