Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês
Vilma Gryzinski Mundialista Por Vilma Gryzinski Se está no mapa, é interessante. Notícias comentadas sobre países, povos e personagens que interessam a participantes curiosos da comunidade global. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Nem Angelina Jolie ajuda: tudo dá errado para venezuelanos

Oposição está dividida e sem opções, o número dois do regime está em Cuba e os maduristas estão celebrando; pode ser aí que more o perigo

Por Vilma Gryzinski 8 jun 2019, 16h54

Linda como uma deusa e quase tão esguia quanto os pobres venezuelanos submetidos ao regime de emagrecimento forçado conhecido como “a dieta de Maduro”, Angelina Jolie visitou refugiados do fracasso bolivariano na Colômbia.

Como voluntária da ONU, obviamente não poderia mencionar a única saída para eles: o retorno a seu próprio país, com outro governo e um plano de salvação nacional.

O problema é que as opções estão acabando. Mesmo com uma eventual queda de Nicolás Maduro, a alternativa seria um bolivarianismo light, sob direção de militares associados ao regime que entregariam a cabeça do ladravaz em troca da própria e confortável sobrevivência.

É por saber que uma traição está escrita no seu futuro que Maduro fala o tempo todo não em Juan Guaidó, mas em Leopoldo López.

Com o líder oposicionista atualmente asilado na embaixada da Espanha, não haveria hipótese de negociação. Maduro usa isso para intimidar seus eventuais traidores.

Ao contrário de Guaidó, que tem sido excepcional e corajoso no papel de presidente interino que lideraria uma insurreição pacífica para salvar a Venezuela das múltiplas pragas criadas pelo chavismo, mas também tem um perfil mais conciliador ou maleável.

Enviar um representante à Noruega para discutir eventuais negociações com o regime e voltar atrás, diante da violenta oposição de seus próprios companheiros de aliança antimadurista, não fez bem a Guaidó.

Quem é que não sabia que o regime só faz de conta que vai negociar para ir ganhando tempo? Até o papa Francisco, sempre em silêncio obsequioso diante dos apelos desesperados dos bispos venezuelanos por uma interferência humanitária, descobriu isso.

Diante do impasse oposicionista, Maduro e companhia estão se achando. Um exemplo: o Supremo Tribunal, uma abominação inteiramente aparelhada, deu ganho de causa a Diosdado Cabello, o número dois atualmente em visita a Cuba para tramar o que só pode ser o pior para os venezuelanos, numa ação por danos morais.

O culpado é Alberto Federico Ravell, ex-dono da Globovisión, emissora capturada por um boliburguês e criador do site La Patilla. O montante dos danos morais, pela republicação de uma reportagem de um jornal espanhol sobre as acusações de narcotráfico contra Cabello: 30 bilhões de bolívares, equivalente a mais de cinco milhões de dólares.

É claro que uma quantia exorbitante do tipo tem o objetivo de censurar e calar o site.

Ravell tripudiou, dizendo que “a única maneira que poderia pagar cinco milhões de dólares a Diosdado Cabello seria numa reunião da sede da DEA em Miami”.

A referência é ao departamento de combate às drogas dos Estados Unidos, onde a ficha do fanfarrão, sempre muito falante em seu programa de televisão chamado Porretadas, não vale um fio de cabelo.

Continua após a publicidade

Outro motivo de celebração dos bolivarianos foi o vazamento do áudio de uma palestra fechada do secretário de Estado americano, Mike Pompeo.

Numa prova de que nem um ex-diretor da CIA está livre de ser exposto – o áudio do encontro com presidentes de associações judaicas foi passado para o Washington Post -, Pompeo foi flagrado falando a verdade.

Em termos que habitualmente não são usados em público por motivos óbvios, ele disse que um dos maiores problemas para o governo americano é manter a oposição venezuelana unida.

“No momento em que Maduro sair, todo mundo vai levantar a mão: ‘Olhem para mim, eu sou o próximo presidente da Venezuela’”.

Outro fato da vida exposto por Pompeo: Maduro vive quase que totalmente cercado por cubanos.

“Não confia nos venezuelanos. E não está errado. Não deve confiar mesmo. Todos estão conspirando contra ele. Infelizmente, estão todos conspirando a favor de si mesmos.”

Adivinhem qual a parte que os meios de comunicação nas mãos do regime – quase todos – destacaram e qual a parte esconderam?

É claro que foram destacadas as divisões entre os oposicionistas, vindos de partidos diferentes e politicamente rivais, agora fragilizados pelo levante fracassado de 30 de abril, colocado na conta da audácia mal calculada de Leopoldo López.

A parte que não apareceu na mídia oficial, a das conspirações internas contra Maduro, é que faz com que as comemorações podem ser um tanto precipitadas.

O “povo na rua” vai “triturar e esmagar” os golpistas disse ele hoje.

Maduro pode ter que “engolir com Coca-Cola” suas palavras. Foi assim que ele ameaçou o entrevistador Jorge Ramos, mexicano naturalizado americano, num vídeo interrompido e apreendido por ordem dele.

O vídeo foi vazado por algum integrante do círculo de segurança do palácio presidencial.

Em matéria de vazamentos, quem fica pior, Mike Pompeu ou Nicolás Maduro?

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Impressa + Digital

Plano completo da VEJA! Acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias 24h e revista digital no app, para celular e tablet.

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Receba semanalmente VEJA impressa mais Acesso imediato às edições digitais no App.

a partir de R$ 39,90/mês

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e ter acesso a edição digital no app, para celular e tablet.

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Edições da Veja liberadas no App de maneira imediata.

a partir de R$ 19,90/mês