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Por Vilma Gryzinski
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Filhotismo: papai poderoso move “personalidades” como Brooklin Beckham

Poucas coisas irritam tanto os mortais comuns como ver o nepotismo em ação e o mundo das celebridades imitar a política

Por Vilma Gryzinski 25 jan 2023, 08h01

O filho do papa que se tornou sinônimo de nepotismo, Alexandre VI, tinha, ironicamente, um talento tão formidável na política e na guerra que se tornou a inspiração para Maquiavel escrever O Príncipe (está certo que ter sido contratado por ele deve ter tido alguma influência).

César Borgia chegou a criar seu próprio estado, na Itália Central. Foi feito cardeal aos 18 anos, assim que o pai assumiu o papado (excepcionalmente, renunciou à púrpura), e morreu aos 31. 

A “tradição” de elevar a cardeal os sobrinhos – ou nipote -, como eram chamados os filhos produzidos na época dos papas poderosos e escandalosos deu origem ao termo nepotismo, que fincou sólidas raízes no mundo político.

Mas o nepotismo que todo mundo está falando atualmente é o dos filhos de celebridades que seguem as carreiras de pais e mães como artistas –  ou nem isso conseguem. Em inglês, são chamados de “nepo babies”.

Um dos casos mais notórios é o de Brooklin, o filho mais velho de David Beckham e de Victoria, a ex-Spice Girl que conseguiu mudar de carreira, passando de cantora a dona de uma grife conhecida.

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Brooklin Beckham não é nenhum César Borgia, para dizer o mínimo. Não canta, não dança, não desenha, não joga futebol, mas se acha o máximo. Já tentou ser fotógrafo, modelo e designer – desistiu depois de um ano na renomada Parsons School of Design – custa 23 mil dólares por período, avisa em seu currículo inacreditavelmente pernóstico.

Mesmo com toda a influência dos pais famosos, continua pulando de galho em galho. Agora, se intitula chef de cozinha. Sem, obviamente jamais ter comandado uma cozinha, fora a da casa que divide com outra bafejada pela aura familiar, a atriz Nicola Peltz. O pai dela, o bilionário Nelson Peltz, está tentando, via seu banco de investimentos, um lugar no comando da Disney. 

A pálida carreira da filha certamente teria um novo impulso. O sogrão e o sobrenome famoso, até nos Estados Unidos, levaram Brooklin a apresentar num popular programa de televisão sua “especialidade”: sanduíches (receita: pão, recheio, pão).

Nas redes sociais, ele costuma ser ridicularizado por incursões assim. Já apresentou como se fosse uma grande novidade o “seu” gin tônica (receita: gin, tônica, gelo).

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Mas tem 14 milhões de seguidores, o que mais do que garante seu lugar ao sol. Entrar no mundo da fama com sobrenome conhecido obviamente abre portas. “Mas depois tudo depende de você”, choramingou Lily Rose Depp, jovem, bonita e magra, mas com a carreira de modelo da Chanel unicamente turbinada pela linhagem (a cantora francesa Vanessa Paradis e o pirata americano Johnny Depp).

É raro o caso em que o produto de “filhotismo” ultrapasse em talento e beleza os pais famosos. Se isso acontecesse, Dakota Johnson deveria ser a mais bela e talentosa atriz do universo, considerando-se que é neta de Tippi Hedren (a loira torturada por Hitchcock em Os Pássaros), filha de Melanie Griffith e Don Johnson, ex-enteada de Antonio Banderas.

Para propagar os círculos de influência, ela está junto desde 2017 com Chris Martin, o Cold Play que já foi casado com Gwyneth Paltrow, filha da atriz Blythe Danner e do falecido diretor Bruce Paltrow. 

Gwyneth é a exceção à regra: tornou-se mais famosa que os pais, ganhou os maiores prêmios e ficou muito mais rica com seus produtos new age.

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Os “nepo babies” foram tema de uma capa da revista New York em dezembro e viraram assunto global com a concentração de privilegiados pelo filhotismo em um só lugar. Em geral, eles proliferam na Netflix: o grande número de produções sempre acomoda um filhinho de papai – ou mamãe ou ambos.

A revista menciona um filme feito durante a pandemia, quando muitos clãs artísticos tiveram que viver como pessoas comuns na mesma casa, e que despertou uma certa controvérsia: a diretora era filha de Steven Spielberg; o ator, filho de Sean Penn e o roteiro escrito pelo filho de Stephen King.

O empurrãozinho pode começar cedo. Beyoncé voltou aos palcos, na inauguração de um hotel em Dubai, com uma “participação especial”: a filha Blue Ivy, de apenas 11 anos (e quase tão alta quanto a mãe). Quando ela nasceu, a mãe e o pai, Jay Z, registraram o original nome para ter todos os direitos sobre seu uso comercial.

A filha de Jennifer Lopez, Emma, de 14 anos, também já cantou com a mãe e mostrou que está na faixa dos gêneros fluídos. 

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Na política, o caso de nepotismo que paira há anos sobre os Estados Unidos é o de Hunter Biden, o filho que o papai Joe levava junto em viagens oficiais quando era vice-presidente. Hunter voltava com contratos lucrativos. Nem o mais ardoroso democrata acha que isso aconteceria porque “Hunter é o homem mais inteligente que já conheci”, segundo as palavras do deslumbrado pai – e olhem que ele foi vice de Barack Obama.

A nova maioria republicana no Congresso deverá revirar os negócios suspeitos do filho caçula do presidente que a grande imprensa e as redes sociais “enterraram” quando vieram à tona, pouco antes da eleição presidencial, para não prejudicar a campanha de Biden.

“Em quem vamos confiar se não na nossa própria família”, disse certamente o papa Alexandre VI – talvez demonstrando excesso de confiança, considerando-se que até hoje persistem as suspeitas de que César Borgia matou o irmão, Giovanni. Nada pessoal, só a habitual disputa pelo poder, da mesma forma que obrigou o cunhado, Giovanni Sforza, a assinar uma confissão de impotência para assim abrir caminho a um casamento mais vantajoso para a irmã, Lucrécia, que levou a fama de devoradora de maridos.

Por causa dos escandalosos favorecimentos aos “sobrinhos” dos papas, Inocente XII escreveu uma bula em 1692 proibindo todos os papas que viessem a sucedê-lo de dar propriedades, cargos ou fontes de renda para parentes. A “cota” de cardeais foi limitada a um único familiar.

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O caso mais inacreditável de nepotismo hoje no mundo é o da dinastia comunista da Coreia do Norte. Kim Jong-Un é o terceiro membro da família a exercer o poder e já começou a aparecer em público com a filha, Ju-Ae, de apenas nove anos. A dinastia vermelha foi criada por Kim Il-Sung, venerado literalmente como um semideus.

Mas é claro que os laços familiares não garantem tudo. Kim Jong-Un mandou executar o tio, Jong Song-Thaek, por suspeita de conspiração. Segundo Donald Trump contou a Bob Woodward, o corpo decapitado foi mostrado a membros da elite norte-coreana.

O próprio Trump colocou a filha e o genro no governo, em posições não remuneradas. Ele sonhava fazer de Ivanka a primeira presidente dos Estados Unidos, mas a situação familiar não anda boa por causa de um fatídico jantar com o antissemita Kanye West. 

Ivanka, que se converteu ao judaísmo para casar com Jared Kushner, já avisou que não terá nenhuma participação na nova campanha do pai.

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