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Me Engana que Eu Posto Por Coluna A verdade por trás de manchetes falsas que se espalham pela internet. Editado por João Pedroso de Campos.

Sergio Moro pede voto nulo para impedir eleição de corruptos?

Mensagem compartilhada no WhatsApp e atribuída ao juiz afirma que, caso a maioria dos votos seja anulada, nova eleição, com novos candidatos, é convocada

Por João Pedroso de Campos Atualizado em 13 dez 2017, 20h29 - Publicado em 13 dez 2017, 20h05

Voltou a circular no WhatsApp nesta semana uma corrente que atribui ao juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em Curitiba, um discurso que prega o voto nulo como antídoto à eleição de políticos corruptos. Com a proximidade das eleições e o descontentamento do brasileiro com as Excelências, muitos têm passado o boato à frente sem checá-lo. Leia abaixo um trecho:

Reprodução/Reprodução

Para começo de conversa, Sergio Moro não deu essas declarações e nem tem espalhado correntes no WhatsApp para indicar a anulação massiva de votos como maneira de combater candidatos corruptos. Se o magistrado estivesse, realmente, dando “dicas” do gênero, não faltariam notícias sobre o assunto em veículos de imprensa confiáveis. Uma simples busca pelo tema na internet confirma que não há nenhuma reportagem sobre o tema.

Dito isso, é verdadeira a informação de que digitar “000” na urna eletrônica e apertar a tecla “Confirma” anula o voto do eleitor. A confirmação de voto em qualquer número que não corresponda a um candidato homologado pela Justiça Eleitoral gera, automaticamente, sua anulação.

A mentira está em outro trecho da extensa mensagem atribuída a Sergio Moro. Se a maioria dos votos for anulada, diz a lorota, uma nova eleição é convocada e os candidatos do pleito anterior não podem se candidatar novamente (veja imagem abaixo).

Reprodução/Reprodução

Isso não é verdade, absolutamente. Os votos nulos em uma eleição não são considerados entre os votos válidos, ou seja, não têm efeito nenhum sobre o resultado do pleito. É como se eles não existissem, simples assim.

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alerta: “é importante que o eleitor tenha consciência de que, votando nulo, não obterá nenhum efeito diferente da desconsideração de seu voto. Isso mesmo: os votos nulos e brancos não entram no cômputo dos votos, servindo, quando muito, para fins de estatística”.

Outro boato diz o contrário

Enquanto uns compartilham o boato do voto nulo orientado por Sergio Moro, outros preferem espalhar a versão de que ele deu declarações pedindo que os eleitores não anulem seus votos e deem preferência a candidatos sem experiência política. Assim como no caso desmentido acima, Moro não falou nada disso. A versão alternativa erra até mesmo a grafia do nome do magistrado. Ali ele é “Sérgio Mouro”:

Reprodução/Reprodução

Novamente: se o juiz federal tivesse dado declarações tão contundentes contra “bandidos de colarinhos brancos” e pedido que os brasileiros votassem apenas “em quem não tem mandato”, haveria reportagens sobre o assunto em inúmeros veículos de informação confiáveis. Não há nenhum registro da fala por um motivo singelo: ela não aconteceu.

 

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