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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Os três duros recados dos militares para Bolsonaro

Ou… Por que Bolsonaro quebrou a cara com integrantes das Forças Armadas

Por Matheus Leitão Atualizado em 10 jan 2022, 08h47 - Publicado em 10 jan 2022, 08h28

Nos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro teve três atritos – ou aborrecimentos – com militares de alta patente. São fatos isolados, mas que indicam uma tendência.

O Exército fez uma instrução interna pró-vacina e anti-fake news enquanto o presidente é um divulgador de Fake News e um militante contra a vacina.

Vejam, leitores, que curioso: “não deverá haver difusão de mensagens em redes sociais sem confirmação da fonte e da veracidade da informação. Além disso, os militares deverão orientar os seus familiares e outras pessoas que compartilham do seu convívio para que tenham a mesma conduta”.

Esse foi o primeiro atrito.

Depois, o presidente da Petrobras, general Silva e Luna, deu entrevista ao Estado de S.Paulo dizendo que a estatal não pode ser responsável por segurar os preços dos combustíveis, e que não “pode fazer política pública”. Bolsonaro, como todo mundo sabe, o colocou lá para tentar segurar os preços.

Taí, o segundo atrito.

Por fim, o Almirante Antônio Barra Torres, presidente da Anvisa, em nota de tom fortíssimo, reagiu às insinuações de Bolsonaro contra a agência dizendo que o presidente, se sabe de algo, deve falar claramente o que tem contra ele e à Anvisa porque, do contrário, estará prevaricando. Ou então… “retrate-se”, disse

Aliás, esse terceiro embate é considerado o mais forte. Ele lembra na nota que é “general da Marinha” e que é médico. O presidente chegou ao auge dos ataques à agência depois da aprovação da vacina para as crianças de 5 a 11 anos.

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Mos o almirante que ele indicou – claramente para mandar na agência – virou o maior paredão de contenção e o maior defensor do órgão, no momento mais crítico que a agência já viveu.

MANIPULAÇÃO

A manipulação de preços para a demagogia eleitoral pode não ter a concordância do general Silva e Luna. Pelo menos, foi isso que ele indicou na entrevista: “Ainda há pessoas que consideram por desinformação ou outro motivo, que a Petrobras deva ser responsável pela redução de preços, ela não tem condições de fazer isso”.

No episódio do Exército, a orientação para que os efetivos da Força só divulguem informações com fontes confiáveis e verificadas é um enorme avanço nesse momento de tanta mentira divulgada pelo próprio presidente e seu entorno.

A orientação do item 22 que diz claramente que a volta ao trabalho presencial precisa ser depois de 15 dias após a vacina (uma ou duas doses dependendo do imunizante) irritou o presidente.

Se o Exército recuar será um absurdo, mas o que já ficou claro é que a Força está voltando ao normal, e sendo parte do Estado brasileiro e não o “meu Exército”, como disse Bolsonaro.

“Avaliar o retorno às atividades presenciais dos militares e dos servidores, desde que respeitado o período de 15 (quinze) dias após imunização contra a Covid-19 (uma ou duas doses, dependendo do imunizante adotado). Os casos omissos sobre cobertura vacinal deverão ser submetidos à apreciação do DGP, para adoção de procedimentos específicos”.

Bolsonaro mudou o comando do Exército, trocou a presidência da Petrobras e colocou um militar na direção da Anvisa pensando que assim os controlaria. E nos últimos dias ficou claro que o plano está fazendo água.

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