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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Os convidados que fizeram toda a diferença na festa de Bolsonaro

Saiba mais sobre o lançamento da pré-candidatura do presidente, que desafiou a Justiça Eleitoral

Por Matheus Leitão Atualizado em 28 mar 2022, 10h09 - Publicado em 27 mar 2022, 13h53

O tom era de Déjà Vu. As companhias, nem tanto.

Desafiando a Justiça Eleitoral, Jair Bolsonaro lançou sua pré-candidatura neste domingo, 27. Não disse que era o lançamento da candidatura, mas falou como candidato. Mais uma vez citou o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, como fez no seu nefasto voto no impeachment de Dilma Rousseff.

Falando em Deus e família, criticou a imprensa e, por fim, disse que agora não se trata de uma luta esquerda x direita, mas do “bem contra o mal”, como bem destacou a jornalista Letícia Casado.

Mais uma vez, Bolsonaro usou o Exército. E o fez com truques de linguagem, conhecidos. Disse que defenderá a liberdade e a democracia. “E a certeza do sucesso é que eu tenho o Exército ao meu lado”. Ao lado dele estava, neste momento, o general de pijama Augusto Heleno, que nada representa. Bolsonaro emendou para deixar propositadamente ambíguo. “Esse exército é composto de cada um de vocês”.

O presidente da República finge moderar o tom, mas deixa sempre a ameaça no ar. Diz que “embrulha o estômago” ter que jogar nas quatro linhas da Constituição enquanto, segundo ele, outros não fazem o mesmo na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Ou seja, era mais uma clara crítica ao Supremo Tribunal Federal (STF), que o seu eleitor mais fiel da extrema-direita adora.

Bolsonaro, obviamente, lembrou o atentado sofrido em 2018 – a facada – disse ser um “milagre da vida”, e, além de manter o ambiente de Guerra Fria, afirmou que, de todos ali, tinha a missão mais espinhenta. Também voltou a tecer comentários sobre a importância da liberdade, conceito que não entende muito. E sobre, claro, ditaduras.

Nas distorções que faz sempre, o presidente criticou as medidas dos governadores na pandemia, e disse que o povo brasileiro sabe, agora, como é difícil viver num regime antidemocrático. Ele é o único presidente do período democrático que defende a ditadura. De democracia… não entende, e os governadores, na verdade, tentaram proteger a vida dos brasileiros contra a Covid-19.

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Como disse, estava acompanhado do general da reserva Augusto Heleno, que fez uma breve palavra – um pouco sem nexo – sobre seu trabalho no gabinete de segurança institucional. Como é função do Estado, não deveria estar misturado a um evento do PL, novo partido de Bolsonaro. A propósito: esse é o mesmo general que cantarolou em 2018 que “se pegar pega centrão…”. O PL é a fina flor deste fisiológico grupo político.

Deu a Michele, a primeira-dama, o papel de conversar diretamente com os evangélicos, apesar de ter trocado o versículo bíblico que sempre usa: do “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, que está no livro de João, citou agora “não temais, nem mesmo a morte, a não ser a morte eterna”, uma passagem bíblica desconhecida, ao menos com essas palavras.

O presidente ainda estava ao lado do ex-mensaleiro Valdemar da Costa Neto, preso em escândalo petista do primeiro governo Lula, seu principal adversário hoje, quase duas décadas depois, e do ex-presidente Fernando Collor, que sofreu impeachment em 1992. Os dois não estavam ao seu lado em 2018. Na época, Bolsonaro alegava defender a “nova política”.

O presidente ainda fez questão de registrar que, naquele evento, “não tinha vermelho”, obviamente, referência aos militantes do Partido dos Trabalhadores. O fato do qual não fala é que estava ao lado dos ex-aliados de governos petistas, como o próprio Valdemar Costa Neto e Collor.

O lançamento foi morno, com lugares vazios na plateia, e num claro descumprimento da Justiça Eleitoral. No palco, quase completamente masculino, além de Michele, havia em destaque a ministra Tereza Cristina da Agricultura.

Ou seja, resumindo, o presidente falou aos empresários do agronegócio que estão mais à direita, à elite, à extrema-direita, ao centrão, aos militares (citou as forças policiais), aos conservadores e, claro, aos evangélicos, dando sempre um tom messiânico à sua vida e de que o próprio Deus o escolheu para o desafio de estar sentado na cadeira presidencial.

Era apenas o Bolsonaro de 2018 fincado em 2022, mas com uma grande estrutura do governo e do centrão ao seu lado.

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