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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Mandetta ataca Bolsonaro: “História vai dizer quem está certo”

Em entrevista à CNN internacional, ex-ministro da Saúde afirma que sua preocupação sobre os efeitos da pandemia no Brasil atingiu o nível máximo

Por Matheus Leitão Atualizado em 18 mar 2021, 20h13 - Publicado em 13 Maio 2020, 20h38

O ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta foi à mídia internacional dobrar a aposta numa piora devastadora da crise do novo coronavírus no Brasil. Em entrevista à rede de TV CNN americana, Mandetta alertou que sua preocupação atingiu o nível máximo, 10 em uma escala de zero a 10. A entrevista foi dada a um dos mais prestigiosos programas da rede, o da jornalista Christiane Amanpour.

Ele ressaltou que o núcleo presidencial, que lhe destinava artilharia diária ostensiva, previa um cenário de mil mortes, mas o o atual disparou para mais de 12 mil óbitos pela Covid-19. “Podemos ser um dos países com mais casos no mundo. O Brasil ainda está no inicio da parte mais difícil que vai enfrentar”, frisou o ex-ministro, mostrando domínio do idioma.

Demitido no meio de um trabalho exitoso de combate sanitário ao novo coronavírus, Mandetta criticou Bolsonaro, disse que foi tirado do cargo quando as divergências entre sua gestão e o presidente se tornaram públicas, e deixou claro que “a História dirá quem estava certo e quem estava errado”. Também não poupou detalhes da pressão que sofreu do presidente, que fez campanha pública contra as orientações científicas que foram seguidas à risca pelo ministério da Saúde.

Ao dar esse testemunho, o ex-ministro reforça o que tem ficado cada vez mais claro: a ciência estava certa ao apontar o isolamento social como forma de combater o vírus. Não só: Mandetta sai por cima, com credibilidade, e deixa na conta de Bolsonaro todo o ônus político que o governo colherá em faturas pesadas por conta da pandemia, que poderão incidir inclusive o coração da economia que o presidente tanto se preocupa em poupar. 

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