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Por José Benedito da Silva
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PGR denuncia Carla Zambelli e hacker por invasão ao sistema do CNJ

Acusação foi feita por Paulo Gonet após inquérito da PF concluir que a dupla cometeu os delitos de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica

Por Isabella Alonso Panho Atualizado em 9 Maio 2024, 12h06 - Publicado em 23 abr 2024, 11h06

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou criminalmente a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e o hacker Walter Delgatti Neto pela tentativa de invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela expedição de um mandado de prisão falso contra Alexandre de Moraes. A denúncia foi apresentada na manhã desta terça-feira, 23, e o ministro, que será o relator, já deu sua primeira decisão na ação penal, levantanto o sigilo do caso e concedendo quinze dias para os dois acusados se defenderem.

Zambelli já havia sido indiciada (quando o relatório final da investigação aponta para a prática de crimes) no começo de março. A conclusão da Polícia Federal (PF) foi a de que ela e Delgatti cometeram os delitos de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. As penas desses dois crimes, somadas, chegam a nove anos — suficiente para que uma eventual condenação comece a ser cumprida em regime fechado. Gonet seguiu o mesmo entendimento da PF e pediu, além da condenação dos dois, que Zambelli receba uma agravante na pena por ser funcionária pública na época do caso.

A denúncia criminal aponta a deputada como mentora e contratante do crime. “A denunciada Carla Zambelli exerceu papel central na prática dos delitos relatados. Ela arregimentou o executor dos delitos, Walter Delgatti, mediante promessa de benefícios, com o objetivo de gerar ambiente de desmoralização da Justiça Brasileira, para obter vantagem de ordem política”, diz o documento.

Em outro trecho da denúncia, Gonet afirma que a própria deputada foi “responsável pela elaboração do texto a ser utilizado por Walter Delgatti na confecção do mandado fraudulento” contra Moraes. Além desse documento, o hacker é acusado de falsificar alvarás de soltura e ordens de bloqueio de bens, diligências que são feitas através do sistema do CNJ. O método usado foi invadir o acesso de diversos servidores do órgão.

Em agosto 2022, Veja revelou com exclusividade que Delgatti esteve reunido com o ex-presidente Jair Bolsonaro para discutir a credibilidade das urnas e a possibilidade de violação ao sistema eleitoral brasileiro. O encontro foi costurado por Zambelli e os detalhes das negociações com o hacker foram revelados por ele em um áudio obtido, também com exclusividade, por Veja.

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Nos depoimentos prestados ao longo das investigações, Delgatti sempre confessou a trama. De acordo com a denúncia desta terça, 23, ficou comprovado que deputada lhe prometeu um emprego e “providenciou internação hospitalar e tratamento gratuitos, por aproximadamente uma semana, ‘em janeiro ou fevereiro/2023’, na Santa Casa de Misericórdia de Guaratinguetá/SP”. Foi organizada uma cadeia para fazer os pagamentos ao hacker: ele recebeu os valores combinados por meio da empresa Hernani Filmes e Marketing Digital, contratada para cuidar das redes sociais e da comunicação da campanha de doze candidatos do PL.

O que diz a deputada

Procurada pela reportagem, Carla Zambelli se manifestou através do seu advogado de defesa, Daniel Bialski. Na nota, ela chama Delgatti de mitômano (pessoa que mente compulsivamente) e diz que provará sua inocência. Leia a seguir:

A defesa da Deputada Carla Zambelli recebeu com surpresa o oferecimento da denúncia em seu desfavor, já que inexiste qualquer prova efetiva que ela tivesse de alguma forma colaborado, instigado e ou incentivado o mitômano Walter Delgati a praticar as ações que praticou. A narrativa dele acusando a Deputada e terceiras pessoas foi desmentida pela própria investigação, e a defesa irá exercer sua amplitude para demonstrar que ela não praticou as infrações penais pelas quais foi acusada.

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