As eleições em Curitiba foram marcadas por uma tentativa de Jair Bolsonaro de desafiar o comando de Ratinho Jr. Como se sabe, embora tenha indicado o vice da chapa de Eduardo Pimentel, do PSD, que era o candidato do governador paranaense para o comando da capital, o ex-presidente passou a apoiar durante a campanha o nome de oposição, a radical Cristina Graeml, do PMB. Com a vitória de Pimentel, muitos aliados de Ratinho Jr. esperavam que ele fosse à forra, marcando posição e festejando publicamente o triunfo sobre Bolsonaro na disputa do pleito municipal.
A pessoas próximas, no entanto, o governador tem dito que não irá comprar briga com o ex-presidente. Segundo Ratinho Jr., as divergências durante a campanha de Curitiba foram superadas com a vitória de seu candidato. O triunfo de Pimentel não foi a única demonstração de força do governador no Paraná. O partido dele acabou sendo vitorioso em 164 das 399 prefeituras no estado. Após a divulgação dos resultados do segundo turno, em entrevista a VEJA, Ratinho Jr. classificou o saldo positivo como uma conquista da “direita popular”, que alia bandeiras como liberdade econômica, defesa da propriedade privada e valores conservadores à preocupação social.
O sucesso nas eleições municipais e as altas taxas de aprovação de sua gestão no Paraná aumentaram de vez os rumores de que o governador planeja se lançar como candidato de oposição ao Palácio do Planalto em 2026. Embora não negue ambições de um voo maior na política, ele costuma alertar sobre os riscos do lançamento de uma campanha precoce demais. A aliados, Ratinho Júnior tem dito que a pressa não ajuda o processo para fazer uma frente ampla contra a esquerda nas próximas eleições.
Uma das dificuldades de criar um bloco unido da direita para 2026 são as pretensões de alguns postulantes. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do União Brasil, único até agora que assumiu publicamente esse desejo, diz que seguir até o final com sua candidatura, independentemente de qualquer coisa. Mesmo fora do jogo político no momento, Jair Bolsonaro sonha em recuperar os direitos políticos a tempo de disputar o Palácio do Planalto. “O candidato sou eu”, disse ele em entrevista recente a VEJA, referindo-se às pretensões de outros nomes em ocupar o posto de líder da direita no país.
Segundo Ratinho Jr. disse a pessoas próximas, é preciso respeitar o ex-presidente. O governador paranaense também tem condenado qualquer tipo de ataque a Bolsonaro. O argumento é que ele merece ser respeitado porque teria cumprido até aqui todos os acordos que selou. Como se vê, Ratinho Jr. parece mesmo disposto a deixar para trás as polêmicas da época da campanha para a prefeitura de Curitiba.