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Maquiavel Por José Benedito da Silva A política e seus bastidores. Com João Pedroso de Campos, Reynaldo Turollo Jr., Tulio Kruse, Diogo Magri, Victoria Bechara e Sérgio Quintella. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Fuga por 3 estados e prisão na Sé: a saga do novo suspeito de crimes no AM

Gabriel Dantas fugiu do Amazonas para o Pará e depois para Mato Grosso, de onde pegou carona com caminhoneiro até SP, onde decidiu se entregar à polícia

Por Tulio Kruse Atualizado em 23 jun 2022, 22h55 - Publicado em 23 jun 2022, 16h25

Um novo suspeito de participar das mortes do indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips se entregou nesta quinta-feira, 23, a mais de 5.400 quilômetros do local do crime. O amazonense Gabriel Pereira Dantas, de 26 anos, abordou policiais militares por volta das 6h desta quinta na Praça da Sé, na região central de São Paulo, e contou que estava no barco com os assassinos no rio Itaquaí, quando o crime ocorreu.

O suspeito contou que conheceu um dos acusados de atirar contra Bruno e Dom, o Pelado – não está claro se é Amarildo da Costa de Oliveira, o Pelado, ou Jeferson da Silva, o Pelado da Dinha. O encontro ocorreu no Bar e Mercearia dos Amigos, uma espécie de bar flutuante em Atalaia do Norte que vende bebidas à população local e combustível a quem viaja de barco na região. Ali, Dantas e Pelado teriam virado companheiros de copo, o que levou ao convite para acompanhar os demais suspeitos em sua lancha no dia do crime. Ele afirma que ajudou a pilotar o barco de onde partiram os tiros após a embarcação que dirigia emparelhar com o barco onde estavam o indigenista e o jornalista, mas diz que não atirou contra as duas vítimas. Contou ainda que, além de pilotar a embarcação, ajudou a levar os corpos para o meio do mata e a esconder os pertences do indigenista e do jornalista na beira do rio.

Dantas é o quarto suspeito preso no caso do duplo assassinato no Vale do Javari, extremo oeste do Amazonas. A Polícia Civil de São Paulo, a princípio, desconfiou do relato do suspeito, mas confirmou que ele é de Manaus. Segundo um dos delegados que o ouviu, o suspeito repetiu a história mais de dez vezes e com riqueza de detalhes, o que acabou levando os policiais a considerar que a história pode ser verídica. Outras informações de seu depoimento foram checadas com policiais de Rio Verde, em Goiás: a pedido da polícia paulista, um caminhoneiro que deu carona a Dantas foi interrogado e confirmou sua identidade e os detalhes de sua viagem pelo Centro-Oeste e Sudeste nos dias que seguiram o crime.

Ele contou à polícia que é viciado em cocaína, e que saiu de Manaus após ser ameaçado por traficantes e depois de vários desentendimentos com a esposa. Estava em Atalaia do Norte há poucos dias quando se envolveu no crime. Após o duplo assassinato, Dantas conta que fugiu para Manaus, e passou por várias cidades até chegar à capital paulista. Santarém, Cuiabá e Guarantã do Norte estiveram no seu itinerário, segundo seu depoimento à polícia. Em Rondonópolis, ele conheceu um caminhoneiro que teria dado uma carona até Mococa e, depois, até a capital paulista. Na estrada, selaram uma relação de confiança, a ponto de Dantas ser convidado a dormir na casa do caminhoneiro, conhecer sua esposa em Mococa, e receber 150 reais para que pudesse passar alguns dias na capital paulista. Em São Paulo, porém, alegando estar sem dinheiro e sem condições de sobreviver na metrópole, entregou-se à polícia.

O suspeito Gabriel Pereira Dantas na saída do 77° DP, em São paulo, preso após admitir participar dos assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips
O suspeito Gabriel Pereira Dantas na saída do 77° DP, em São paulo, preso após admitir participar dos assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips Tulio Kruse/VEJA

“Nós entendemos que essa versão tem fundamento”, diz o delegado da seccional do Centro, Roberto Monteiro. “Ele fala que achou melhor se entregar, porque viu uma cena muito violenta e que a consciência dele fez com que se entregasse à polícia de São Paulo.”

A polícia já pediu a prisão temporária de Dantas. O suspeito ainda pode ser encaminhado à Polícia Federal, que investiga o caso. Após passar a tarde  no 77º Distrito Policial, em Santa Cecilia, ele foi encaminhado para a sede da Superintendência da PF na capital paulista, em meio a empurrões durante sua saída. Assustado, Dantas saiu da sala de depoimento segurando com força o capuz de seu moletom vermelho para cobrir o rosto. Foi colocado no porta-malas da viatura da federal que, ao fechar, teve o vidro da porta traseira quebrado em meio a uma confusão entre jornalistas e policiais.

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