Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês
Maquiavel Por Coluna A política e seus bastidores. Informações sobre Planalto, Congresso, Justiça e escândalos de corrupção. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Favoritismo do PT atrapalha planos para federação na centro-esquerda

Integrantes do PSB e do PDT, que mantêm diálogo para aliança, dizem que partidos menores seriam prejudicados com provável hegemonia do PT

Por Tulio Kruse 15 jan 2022, 13h22

A liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de intenção de voto, assim como as chances de os petistas aumentarem a sua bancada parlamentar — que já é a segunda maior na Câmara –, tem sido um empecilho para a formação de federações entre partidos na centro-esquerda. Integrantes do PSB e do PDT dizem que esse tipo de aliança deve favorecer legendas com bancadas maiores e prejudicar os menores.

A federação, aprovada pelo Congresso em uma minirreforma no ano passado, obriga os partidos a permanecerem unidos pelo prazo mínimo de quatro anos em casas legislativas de todo o país. As regras também obrigam as siglas a votarem em bloco no Legislativo e a disputarem unidas as eleições municipais, em 2024. Esses compromissos obrigatórios atrapalham alianças regionais e, no Congresso, o receio é de que bancadas menores tenham pouca influência interna.

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, considera que as federações partidárias são “de difícil execução, a não ser que sejam partidos com pesos iguais”. Partidário da candidatura de Ciro Gomes ao Planalto, Lupi tem mantido conversas com lideranças do PSB sobre o tema. Ele reconhece que o desempenho de Lula nas pesquisas atrapalha a formalização de uma aliança entre socialistas e trabalhistas, mas há a expectativa de uma reunião entre a cúpula dos dois partidos nas próximas semanas. “Em qualquer aliança com o PT, qualquer um de nós — PDT, PSB, PCdoB ou PSOL — seremos satélites. A federação é algo complexo, muito difícil de se concretizar.”

O presidente do PDT, Carlos Lupi, e o pré-candidato do partido, Ciro Gomes
O presidente do PDT, Carlos Lupi, e o pré-candidato do partido, Ciro Gomes Cristiano Mariz/VEJA

O PDT aposta em um impasse no diálogo entre PSB e PT para uma aliança nacional. Há um convite para que o ex-governador Geraldo Alckmin seja vice-candidato na chapa de Lula por meio do PSB, mas ainda estão indefinidos os candidatos a governos estaduais em estados-chave como São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Em uma reunião de parte da bancada de deputados do PSB em dezembro, 24 deputados se disseram favoráveis a uma federação. A discussão não envolvia qualquer decisão sobre o partido que seria incluído na eventual aliança, embora as tratativas mais avançadas sejam justamente com PT e PDT. O único dissidente foi o deputado federal Heitor Schuch (PSB-RS). “Sou contrário à federação de partidos, acho que isso é para fazer com que os grandes fiquem ainda maiores e os outros fiquem tão pequenos que acabem desaparecendo com o tempo”, diz Schuch.

O deputado diz que vê com bons olhos uma aproximação com o PDT. Schuch apoia a pré-campanha do ex-deputado Beto Albuquerque (PSB) ao governo gaúcho, disputa que também vive impasse no campo da esquerda: os petistas lançaram o nome do deputado estadual Edegar Pretto.

Continua após a publicidade

Publicidade