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Maquiavel Por José Benedito da Silva A política e seus bastidores. Com João Pedroso de Campos, Reynaldo Turollo Jr., Tulio Kruse, Diogo Magri, Victoria Bechara e Sérgio Quintella. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

‘Escola sem partido’ vira ‘escola com partido’ no MEC de Bolsonaro

Além da contaminação ideológica da pasta, Milton Ribeiro foi flagrado dizendo que distribui recursos da educação de acordo com a orientação de um pastor

Por Da Redação Atualizado em 23 mar 2022, 07h48 - Publicado em 23 mar 2022, 07h00

O projeto/ideia “escola sem partido” sempre movimentou um ruidoso braço do bolsonarismo, que defende a necessidade de eliminar uma suposta “influência de esquerda” nas escolas. Com a ascensão de Jair Bolsonaro (PL), a obsessão ideológica virou até projeto de lei, mas até hoje não houve força no Congresso para fazer avançá-lo.

Milton Ribeiro, o pastor presbiteriano e teólogo que assumiu o Ministério da Educação após duas gestões marcadas por muito proselitismo ideológico de direita e pouca gestão – Ricardo Vélez Rodríguez e Abraham Weintraub –, está conseguindo fazer o contrário: implantar na prática o “escola com partido” na pasta, cujas políticas foram contaminadas por bobagens ideológicas e a execução de programas entregue a interesses políticos — incluindo os do Centrão — e religiosos, como o do escândalo revelado nesta semana pelo jornal Folha de S. Paulo.

Em um áudio, o ministro admite que favorece prefeituras indicadas por um líder evangélico. “Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do (pastor) Gilmar (Santos). Porque a minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo o, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar”, afirma. “Lamentável”, afirmou a Frente Nacional de Prefeitos em nota.

O “escola com partido” de Ribeiro inclui a ocupação de postos-chave por pessoas encarregadas de implantar a sua visão ideológica –  como a pedagoga Sandra Ramos, nomeada para a Coordenação Geral de Materiais Didáticos, que já assinou um documento defendendo o ensino do criacionismo em contraposição à teoria da evolução das espécies, de Charles Darwin. Também há influência na compra de livros didáticos, ao deixar de excluir obras que expõem as mulheres sob uma ótica negativa e as que ignoram a agenda de não violência contra elas. Vocábulos como “respeito à diversidade” e “democrático” foram suprimidos, cedendo lugar à valorização de ideias mais vagas, como o “convívio social republicano”.

Agora, o ministro está em uma mais do que justificada saia-justa para tentar explicar o áudio constrangedor e a sua nada republicana política de distribuição de recursos públicos para a educação. Corre ainda o risco de ver a sua gestão se tornar alvo de investigação, além de abrir uma nova crise política no primeiro escalão do governo.

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