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As análises dos peritos sobre as cartas que Adélio escreveu na prisão

Reportagem submeteu escritos a especialistas que atestaram sua autenticidade e interpretaram o que seu teor diz sobre o autor da facada em Bolsonaro

Por Da Redação 26 jun 2022, 09h35

Reportagem da edição de VEJA desta semana traz um conjunto de 23 cartas de Adélio Bispo, o autor do atentado a faca contra Jair Bolsonaro em 2018, escritas no segundo semestre de 2021 de dentro da penitenciária federal de Campo Grande (MS), onde ele cumpre uma medida de segurança depois de ser considerado inimputável pela Justiça. Para serem analisados, os escritos foram submetidos pela reportagem a dois especialistas forenses que verificaram a autenticidade das mensagens e o que elas indicam a respeito do quadro clínico de Adélio.

A autenticidade foi atestada pelo perito forense e professor Reginaldo Tirotti, que elaborou um parecer grafoscópico a partir da comparação das cartas com peças de processos judiciais escritas à mão por Adélio. O exame foi o mesmo que peritos realizam em processos judiciais para saber, por exemplo, se determinada assinatura partiu ou não do punho de uma pessoa que nega a sua autenticidade. “No caso do Adélio, ele tem uma particularidade muito especial na letra ‘p’, algo muito característico”, explicou Tirotti. Há particularidades também na escrita do “a” e do número “8” — feito de baixo para cima, “uma construção bastante peculiar e rara na população em geral”, anotou o perito. Especialistas nessa área são treinados, inclusive, para identificar se a letra foi feita por alguém que tentou imitar a escrita de um terceiro (um falsário).

Trecho de parecer grafoscópico que compara escrita de Adélio em processo judicial (moldura verde) com cartas obtidas pela reportagem (moldura vermelha) -
Trecho de parecer grafoscópico que compara escrita de Adélio em processo judicial (moldura verde) com cartas obtidas pela reportagem (moldura vermelha) – Reprodução/Reprodução

Após a confirmação da autenticidade, os documentos foram submetidos à análise do psiquiatra forense Guido Palomba, que já elaborou mais de 15.000 pareceres e laudos para processos que tramitam nos tribunais de São Paulo. A conclusão, segundo o médico, é inequívoca: “Diante da clareza clínica, não se põe a menor dúvida de que o autor dos escritos está em franca ruptura com a realidade. Romper com a realidade significa, obrigatoriamente, do ponto de vista psiquiátrico-forense, doença mental, no caso, estado psicótico grave, cujas características indicam, com segurança, tratar-se de esquizofrenia paranoide”.

Os textos, de acordo com o especialista, estão repletos de elementos psicopatológicos que demonstram grave distúrbio do pensamento, tanto do curso das ideias (o que é tecnicamente chamado de desagregação) quanto de seu conteúdo (persecutoriedade). Essa última característica se manifesta na forma de delírio de perseguição, como no trecho em que Adélio diz que a maçonaria “pode controlar emoções de pessoas com ‘Reaas’ ou algo equivalente como hipnose ou algo mais que isso”. Para Palomba, embora existam formas mais brandas de esquizofrenia paranoide, sujeitas a certo controle, esse não é o caso de Adélio, cujos escritos revelam estado delirante e alto grau de desagregação do curso do pensamento, algo típico de casos severos da doença.

Dois inquéritos já finalizados pela Polícia Federal concluíram que o atentado cometido por Adélio em 2018 não teve mandantes nem cúmplices.

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