Assine VEJA por R$2,00/semana
Imagem Blog

Letra de Médico

Orientações médicas e textos de saúde assinados por profissionais de primeira linha do Brasil
Continua após publicidade

É possível ter qualidade de vida com a DPOC?

Doença, que tem no tabagismo um de seus principais fatores de risco, pode ser controlada com tratamento disponível inclusive no SUS

Por Clystenes Soares*
Atualizado em 9 Maio 2024, 18h48 - Publicado em 5 dez 2023, 07h50

Chegar à terceira idade sem energia para pegar os netos no colo e sair para passear com o cachorro não faz parte de qualquer plano de aposentadoria. Tampouco perder o ar após poucos minutos de caminhada ou não conseguir tomar um simples banho sozinho. Infelizmente, essa realidade acompanha parte dos cerca de 210 milhões de pessoas em todo o mundo que possuem doença pulmonar obstrutiva crônica, a DPOC.

São em torno de 6 milhões de indivíduos com a condição só no Brasil. A enfermidade, que engloba o enfisema pulmonar e a bronquite crônica, é considerada a quarta principal causa de morte evitável no país, além de afetar diretamente a qualidade de vida, inclusive a saúde mental, de muitos pacientes.

Além de seus principais sintomas, como tosse e falta de ar, serem subestimados no dia a dia, a DPOC carrega o estigma de doença incurável, embora haja tratamento. Com isso, o diagnóstico tende a ocorrer tardiamente após episódios de crise, quando o pulmão já está comprometido.

Os parâmetros psicossociais que envolvem a DPOC são significativos por diversos motivos, como o fato de o tabagismo ser um dos principais fatores de risco e o paciente ter certa consciência sobre sua responsabilidade e, ao mesmo tempo, enfrentar dificuldades para largar o cigarro.

Portanto, quando se depara com a exacerbação dos sintomas a ponto de ter sua capacidade física restringida, suas relações afetivas abaladas e até mesmo suas atividades profissionais impactadas – o que, muitas vezes, compromete a renda familiar –, o que fica para aquele indivíduo é o sentimento de culpa. Consequentemente, cerca de 30% desses pacientes apresentam um quadro depressivo.

Continua após a publicidade

De acordo com um estudo realizado em parceria com a Universidade de Pernambuco e a Secretaria Estadual da Saúde de Pernambuco, alguns portadores da forma mais grave da doença apresentam deficiência na oxigenação, o que compromete de forma significativa todos os domínios da qualidade de vida, sendo registrada a redução de 40% da qualidade de vida naqueles considerados dependentes da suplementação do oxigênio. Em paralelo, a incapacidade de desenvolver as atividades cotidianas e a dependência dos familiares para realizar os cuidados pessoais e a alimentação acabam contribuindo para ansiedade e depressão.

+ LEIA TAMBÉM: Pesquisa mostra impacto da DPOC entre brasileiros

Soma-se a esse cenário de adversidades o fato de que estes pacientes costumam ter outras comorbidades que afetam o sistema respiratório, como asma, insuficiência cardíaca, apneia obstrutiva do sono, refluxo gastroesofágico e exposição ambiental a alérgenos. Existe, ainda, o desafio quanto ao uso adequado do dispositivo inalatório (que faz com que o medicamento chegue ao pulmão), que frequentemente requer orientação médica criteriosa.

DPOC não tem cura, porém, é tratável e conta com diferentes classes de medicamentos broncodilatadores com administração em um único dispositivo disponíveis gratuitamente pelo SUS. Diversos estudos mostram que associar o tratamento medicamentoso com atividade física em qualquer estágio da doença garante reabilitação pulmonar, otimizando a performance física, social e a autonomia. Vale ressaltar que essas medidas são responsáveis, ainda, por menos internações e episódios de sintomas exacerbados.

Continua após a publicidade

Atualmente, as sociedades médicas de pneumologia promovem diversas atividades e cursos orientando os pacientes como conviver bem com a DPOC, tendo como diretriz olhar o pulmão como o órgão principal para o tratamento da comorbidade associado à garantia de mais bem-estar.

Aos pacientes que são fumantes, que apresentam sintomas de tosse, falta de ar e chiado no peito, recomendo veementemente que procurem um pneumologista e lembrem-se: conheçam o seu pulmão antes que os danos se apresentem. A consulta ao especialista faz diferença para evitar complicações evitáveis e manter a qualidade de vida.

* Clystenes Soares é pneumologista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Compartilhe essa matéria via:
Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.