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Câncer cresce entre os mais jovens e acende o sinal de alerta

Embora seja predominante em idosos, doença está aumentando em indivíduos com menos de 50 anos, na última década, o que preocupa os especialistas

Por Paulo Hoff*
4 fev 2024, 08h00

Receber o diagnóstico do câncer sempre provoca um impacto profundo na vida das pessoas. Mas imagine se o paciente tiver menos de 50 anos. Pois isso vem ocorrendo com maior frequência nos últimos dez anos, quando os casos da enfermidade em indivíduos mais jovens cresceram aproximadamente 15%.

Até hoje não se sabe porque uma doença, com maior incidência nas pessoas maduras, está acometendo os mais novos. A sociedade precisa fazer um esforço para entender quais são as causas deste aumento. Existem suspeitas de que fatores ligados ao estilo de vida, como sedentarismo, obesidade, exposição a poluentes, consumo de alimentos ultraprocessados, mudanças no bioma e vários outros fatores estejam relacionados ao problema, mas ainda há muitas dúvidas.

O crescimento dos casos de câncer nesta faixa etária tem vários reflexos, a começar pelo impacto na vida pessoal e familiar do paciente. O tratamento afeta a capacidade reprodutiva do indivíduo. E, como os casais estão deixando para ter filhos mais velhos, a doença pode comprometer seus planos.

Por outro lado, pessoas com 40 ou 50 anos estão no auge da vida produtiva. E o câncer pode representar perdas profissionais importantes, relacionadas à necessidade de licenças médicas, redução das horas trabalhadas e até aposentadoria precoce. Essa condição pode afetar não só o orçamento das famílias, mas a economia como um todo.

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Pacientes oncológicos jovens representam um novo desafio para o sistema de saúde. Não por acaso, as autoridades diminuíram a idade mínima para a mamografia e a colonoscopia que antes era de 50 anos. Agora, a mamografia deve começar aos 40 anos e o rastreio do câncer de cólon aos 45 anos.

A nova realidade reforça que as pessoas adotem medidas preventivas contra o câncer como se vacinar contra o HPV e o vírus da hepatite B, fazer sexo seguro, praticar atividade física, manter o peso adequado e ter uma dieta saudável. Também devem ficar atentas ao aparecimento de nódulos, alterações intestinais, sangramentos e perda de peso inexplicáveis. Nesses casos, o ideal é procurar ajuda médica.

A boa notícia é que, nos últimos, houve muitos avanços da medicina personalizada. A identificação de alterações moleculares, que levaram ao surgimento do câncer, permitiu o desenvolvimento de tratamentos mais precisos. Entre eles, destaca-se a imunoterapia, que pode ser usada em tumores que antes exigiam tratamentos difíceis e complexos.

Um bom exemplo é o melanoma, um tipo de câncer de pele grave. Antes, a pessoa com a doença em fase avançada tinha poucas esperanças de cura. Com a imunoterapia, um número grande de pacientes melhora e outra parcela expressiva alcança a cura.

O importante é que o câncer tenha o diagnóstico e o tratamento precoces. Esses dois fatores permitem que, nos Estados Unidos, cerca de 70% dos casos da doença tenham um desfecho favorável. No Brasil, esse porcentual está ainda próximo a 60%. Então podemos, como sociedade, agilizar o diagnóstico e o atendimento dos pacientes, porque assim teremos um impacto positivo sobre a curabilidade da doença.

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*Paulo Hoff é médico oncologista, presidente da Oncologia D’Or, professor titular da Disciplina de Oncologia Clínica do Departamento de Radiologia e Oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), membro pregresso do Conselho Diretor da ASCO

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