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Brasileiros com doenças cardiovasculares não controlam fatores de risco

É o que revela um estudo com mais de 2 mil pessoas que será apresentado no próximo congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp)

Por Pedro Gabriel Melo de Barros e Silva*
Atualizado em 9 Maio 2024, 12h06 - Publicado em 23 abr 2024, 07h07

Somente 0,3% dos pacientes com doença arterial coronariana, capaz de levar a um infarto, e doença arterial periférica, marcada por entupimentos nos vasos sanguíneos das pernas, seguem à risca a lista de cuidados para manter as complicações à distância. Eis a conclusão do Registro Brasileiro de Doença Aterotrombótica – NEAT, um estudo observacional que acompanha indivíduos com essas condições em ambiente ambulatorial.

O objetivo principal do trabalho foi avaliar a proporção de boas práticas médicas para reduzir riscos provocados por essas doenças. Dos 2 003 pacientes observados no Registro NEAT, 55,6% eram portadores de doença coronariana, 28,7% tinham doença arterial periférica e 15,7% apresentavam ambos os diagnósticos.

O controle do colesterol ideal era feito por apenas 8,6% dos pesquisados; a prática recomendada de 150 minutos de exercícios físicos por semana estava sendo cumprida por 12,5%; 20,7% afirmaram fazer a monitoração do diabetes; 31,5% dos consultados apresentavam índice de massa corporal adequado; 40,7% tinham a pressão arterial dentro da meta e 15,7% mantinham o hábito de tabagismo, apesar da doença cardiovascular estabelecida.

Além dos itens que dependem do paciente, o estudo evidenciou que, apesar de mais de 90% dos cardiologistas prescreverem o uso de estatinas, entretanto, 55,4% não utilizavam a dose recomendada, chamada estatina de alta intensidade, que diminui o colesterol ruim em mais de 50% e é apropriada aos mais propensos à piora do quadro.

Outro dado do Registro NEAT é que 4% não tratavam com antiplaquetários e os inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA) e os bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA), que regulam a pressão arterial, só eram consumidos por 76,4% da amostragem.

Mas por que a prescrição das medicações não acontece como deveria? A resposta ainda é hipotética, contudo, leva a crer que existe uma lacuna na comunicação entre a prática clínica e os achados científicos. Dessa forma, as melhores terapias não são implementadas para quem as necessita.

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Esse cenário retrata uma realidade muito aquém do ideal. Todos com doença aterotrombótica deveriam fazer a “lição de casa” para obter o benefício completo da redução de risco cardiovascular. Porém, aqui há um duplo problema: a parte que depende do paciente e aquela sob a responsabilidade do médico.

Tanto a prescrição correta baseada em evidências como as estratégias possíveis voltadas a engajar os pacientes para melhor adesão às medidas farmacológicas e não farmacológicas (dieta, atividade física, controle do peso, cessação de tabagismo etc.) serão discutidas no próximo Congresso da SOCESP – Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, nos dias 30 e 31 de maio e 1º de junho na capital paulista. No evento, o tema será debatido com lideranças nacionais e internacionais da cardiologia.

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Por dentro dos problemas

A doença arterial coronariana é uma condição na qual as artérias coronárias, que fornecem sangue rico em oxigênio ao coração, tornam-se estreitas ou bloqueadas devido ao acúmulo de placas (depósitos de gordura, colesterol e outras substâncias). Isso pode levar a sintomas como angina (dor no peito), falta de ar ou até mesmo a um ataque cardíaco, quando a circulação sanguínea para uma parte do músculo cardíaco for significativamente reduzida ou interrompida. Trata-se de uma das maiores causas de morbidade e mortalidade no Brasil e no mundo.

Já a doença arterial periférica promove um estreitamento ou obstrução das artérias que fornecem sangue aos membros inferiores devido ao acúmulo de placas, resultando em menos fluxo sanguíneo para as extremidades do corpo. Os sintomas comuns são: dor ao caminhar, diminuição da sensibilidade ou temperatura nas pernas e pés, úlceras nas pernas que não cicatrizam facilmente e fraqueza muscular.

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Ela está associada a uma chance maior de complicações cardiovasculares, como ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e é um importante indicador de doença arterial em outras partes do corpo.

+ LEIA TAMBÉM: Novas diretrizes para acompanhar a pressão arterial

Como implementar mudanças

A falta de comprometimento, tanto dos pacientes cardiopatas como dos médicos, com as melhores estratégias de prevenção para evitar agravamento do diagnóstico, reforça a importância de uma reeducação de todos os envolvidos para amortizar fatalidades: o risco anual de óbito e complicações graves para pacientes com doença arterial coronariana e doença arterial periférica é de cerca de 4% dos acometidos, mas calcula-se que esse percentual pode cair próximo a 1% com as medidas corretas.

As informações obtidas no Registro NEAT devem ser utilizadas no desenvolvimento de projetos de larga escala para melhorar a qualidade dos cuidados, preparando ainda mais os cardiologistas sobre a eficácia dos medicamentos para controle de cardiopatias e conscientizando a população sobre tudo que está ao alcance para uma vida mais saudável.

* Pedro Gabriel Melo de Barros e Silva é cardiologista e diretor científico do 44º Congresso SOCESP – Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

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