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As novas estratégias para tratar os tumores femininos

Imunoterapia e classe recente de medicamentos ajudam a mudar o cenário de combate ao câncer em mulheres, inclusive em casos avançados

Por Antonio Carlos Buzaid e Jéssica Ribeiro Gomes*
20 abr 2023, 09h17

De todos os cânceres diagnosticados nas mulheres no Brasil, cerca de metade são compostos pelos chamados tumores femininos: o câncer de mama, o de colo de útero, o de ovário etc. E é muito importante discutirmos a prevenção e a grande evolução no manejo dessas doenças nos últimos anos.

Sendo assim, quais seriam os avanços mais recentes no tratamento dos tumores femininos? Para responder a essa pergunta, podemos destacar duas estratégias que vêm se consolidando na área: os inibidores de PARP e a imunoterapia.

Os inibidores de PARP são uma classe de medicamentos que bloqueiam a ação de uma importante enzima utilizada pelas células do tumor para o conserto de erros em seu DNA, chamada de PARP. Ao bloquear essa enzima, eles impedem o reparo do DNA, o que leva à morte da célula do câncer. É o caso, por exemplo, do olaparibe e do niraparibe.

No câncer de ovário, os inibidores de PARP têm se mostrado especialmente úteis como tratamento de manutenção na doença avançada, quando há disseminação do tumor para fora da pelve da mulher, seja ela recém diagnosticada, seja após recorrência. No câncer recém diagnosticado, eles são utilizados após a cirurgia e a quimioterapia com o objetivo de reduzir ainda mais o risco de recidiva e aumentar a chance de cura.

Nos casos de câncer que apresentaram uma recorrência apesar de um primeiro tratamento, os inibidores de PARP permitem controlar o tumor por períodos mais prolongados ao serem usados após uma quimioterapia inicial, especialmente nas mulheres com alterações nos genes BRCA 1 ou 2 (algo confirmado por exames).

A depender do contexto, esses medicamentos também podem representar uma opção adicional de tratamento em substituição à quimioterapia habitual nas pacientes com mutação do gene BRCA.

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Outro importante avanço nos tumores femininos foi a introdução da imunoterapia, um tipo de tratamento que estimula a ação do próprio sistema imune para combater o câncer.

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Já amplamente utilizada em outros tipos de tumores, recentemente ela também se mostrou eficaz no combate ao câncer de colo de útero e ao de endométrio (corpo do útero), ambos na doença metastática, quando a doença se disseminou para outros órgãos. São exemplos da classe os medicamentos pembrolizumabe, cemiplimabe e dostarlimabe.

No câncer de colo de útero metastático, os estudos nos mostraram ótimos resultados da imunoterapia como primeira opção de tratamento nas mulheres cujo tumor apresenta expressão de uma proteína chamada PD-L1.

A avaliação dessa proteína é feita em um material de biópsia ou cirurgia do tumor por um médico patologista. Quando o PD-L1 é positivo, a paciente é tratada com o medicamento pembrolizumabe combinado à quimioterapia. Quando o PD-L1 é negativo, essas mulheres também podem receber imunoterapia (nesse caso, com cemiplimabe), mas em um segundo momento, após a falha a um primeiro tratamento com quimioterapia.

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Já no câncer de endométrio metastático, recentemente a imunoterapia foi aprovada no Brasil para mulheres com tumor avançado que deixaram de ter benefício com alguma quimioterapia. Elas recebem pembrolizumabe combinado a um medicamento chamado lenvatinibe, uma droga oral que bloqueia a formação de vasos sanguíneos no tumor.

Esse regime de tratamento mostrou-se melhor do que a quimioterapia nesse cenário. Em situações especiais, quando a paciente possui alterações bem específicas no tumor (a chamada instabilidade de microssatélite ou alta carga de mutação, confirmada por biópsia), a imunoterapia é tão ativa que pode ser utilizada isoladamente.

Desse modo, o arsenal terapêutico contra o câncer vem aumentando e se consolidando com o surgimento de novas terapias eficazes que vão além do papel da simples quimioterapia. Assim, são muitas as mulheres beneficiadas com a chegada dos inibidores de PARP e da imunoterapia no tratamento dos tumores femininos.

No futuro, esperamos ampliar o uso desses medicamentos, bem como desenvolver novas táticas para melhorar o controle dessas doenças.

* Antonio Carlos Buzaid é oncologista e diretor médico do Centro de Oncologia da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo; Jéssica Ribeiro Gomes é oncologista com pós-graduação em Gestão de Negócios em Saúde pela FGV e médica da Rede Meridional/ Kora Saúde, no Espírito Santo

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