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A mutação do novo coronavírus surgida agora na Espanha

Estudos genéticos mostram que a variante chegou ao redor do dia 20 de junho, mais especificamente entre agricultores das regiões de Aragão e Catalunha

Por Salmo Raskin
Atualizado em 29 out 2020, 16h37 - Publicado em 29 out 2020, 15h58

Se houve uma grande novidade tecnológica nesta pandemia de COVID-19, foi a utilização das técnicas de genética com vários objetivos, iniciando pelo sequenciamento do RNA do SARS-CoV-2 em poucos dias após a confirmação dos primeiros casos na China em dezembro de 2019, o diagnóstico pela técnica de RT-PCR como padrão ouro, o desenvolvimento pela primeira vez de vacinas genéticas, passando pelo monitoramento epidemiológico em tempo real das cepas de SARS-CoV-2.

Desde os primórdios da epidemia foram estabelecidos consórcios científicos (Nextstrain e GISAID) para receber as informações das características genéticas do SARS-CoV-2 de diversos países (incluindo o Brasil). Já existem mais de 167 mil sequências genéticas armazenadas e o número aumenta na casa das centenas a cada dia. Algo absolutamente novo em termos de epidemias por agentes infecciosos.

Mais do que armazenar estas informações, estes consórcios estão permitindo vigiar muito de perto se o SARS-CoV-2 muda seu código genético, com que velocidade e em que lugares do mundo.

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Hoje uma informação muito importante, vinda através de dados deste tipo de Consórcio, em especial o da Espanha, foi publicada em conjunto por pesquisadores Espanhóis, Suíços e Italianos. O aparecimento de uma nova variante (mutação) no SARS-CoV-2, que parece ser a principal cepa responsável pelo enorme número de casos de COVID-19 que assola a Europa. Esta cepa tem duas “novidades” genéticas, as variantes A222V no gene que codifica para a proteína Spike e o a variante A220V no gene que codifica para a proteína nucleoproteina.

O rastreamento permitiu inferir que a variante foi introduzida inicialmente na Espanha, ao redor do dia 20 de junho, mais especificamente entre agricultores das regiões de Aragão e Catalunha, depois se espalhando pelo resto do país. De lá se espalhou para o resto da Europa, não se sabe se por alguma característica vantajosa que a variante confere, pelo turismo europeu que foi retomado depois da queda de casos, por alguma influência da entrada do outono na Europa, por puro acaso, ou pela somatória de um ou mais destes fatores. Fora da Europa pouquíssimas cepas foram encontradas só em Hong Kong e Nova Zelândia, muito provavelmente trazidas por viajantes.

Vamos ter que repensar a abertura de nossas fronteiras (entradas e saídas) mesmo que a pandemia no Brasil diminua muito ou até acabe… mas poderemos contar com a Genética para estarmos mais seguros!

https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.10.25.20219063v1

(Gilberto Tadday/VEJA)
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