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Em Cartaz Por Raquel Carneiro Do cinema ao streaming, um blog com estreias, notícias e dicas de filmes que valem o ingresso – e alertas sobre os que não valem nem uma pipoca

O filme de Glauber Rocha que escapou de incêndio para brilhar em Cannes

Clássico 'Deus e o Diabo na Terra do Sol' foi exibido em versão restaurada em 4K no festival – mesmo evento onde o longa estreou, em 1964

Por Raquel Carneiro Atualizado em 25 Maio 2022, 21h47 - Publicado em 24 Maio 2022, 09h16

Em Cannes, onde acontece a 75ª edição do tradicional festival de cinema, o produtor Lino Meireles se surpreendeu com a primeira exibição da cópia restaurada em 4K de Deus e o Diabo na Terra do Sol, clássico de Glauber Rocha, lançado no mesmo evento em 1964, onde concorreu à Palma de Ouro. “A sala lotou e tinham muitos jovens que nunca tinham visto o filme”, contou Meireles, responsável pela restauração ao lado de Paloma Rocha, filha de Glauber. A boa recepção serve de esquenta para a chegada do filme, marco do Cinema Novo, às salas brasileiras este ano — lançamento ainda sem data. 

O projeto de recuperar Deus e o Diabo começou em 2019 e encarou algumas pedras no caminho. A cópia da película estava armazenada na Cinemateca Brasileira, sendo cinco latas de negativos 35mm. Dois anos depois, em 2021, o prédio histórico em São Paulo pegou fogo, e arquivos de documentos de Glauber Rocha se perderam no incêndio. “Por sorte, os filmes armazenados lá não foram destruídos”, conta Meireles. 

Cena em 4K de 'Deus e o Diabo na Terra do Sol', de Glauber Rocha -
‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’: marco do Cinema Novo //Divulgação

No processo, a tecnologia foi parte de um trabalho manual minucioso. A primeira parte foi escanear os negativos em uma máquina que tirou fotos em 4K, superdetalhadas, de cada quadro. “São 24 quadros por segundo, logo, são necessárias mais de mil fotos de apenas um minuto do filme”, mensura o produtor. Ao todo, o escaneamento levou quase um mês para fotografar as quase duas horas do longa. A próxima fase do restauro contou com os técnicos da Cinecolor, empresa especializada na área, que trataram as imagens no computador, limpando riscos e sujeiras quadro a quadro. Já o som foi restaurado em um estúdio à parte. 

A demora para a finalização do projeto empacou em problemas de percurso. A começar pela pandemia, que atrapalhou o ritmo do trabalho. O fechamento da Cinemateca também foi outro empecilho quando a equipe precisou de materiais armazenados por lá. Apesar das pedras no caminho, o produtor se orgulha. “Há 20 anos, tínhamos que mandar o negativo para fora. Hoje, temos capacidade para fazer restaurações com excelência 100% no Brasil.” 

Segundo filme de Glauber, Deus e o Diabo na Terra do Sol entrou para a história ao inovar em sua forma de filmagem, que se tornou a estética padrão do Cinema Novo, com poucos recursos e cenas poéticas, mas cruas. A trama acompanha a jornada de Rosa (Yoná Magalhães) e seu marido, o vaqueiro Manuel (Geraldo del Rey), que matam o patrão explorador. O casal se refugia em uma comunidade messiânica em Monte Santo, Bahia, onde o líder Beato Sebastião (Lídio Silva) usa um discurso de fim da pobreza e do sofrimento que incomoda os poderosos locais. “O cinema de Glauber ainda é atual. A história do filme ainda se relaciona com os dias de hoje’, finaliza o produtor. 

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