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Por Coluna
O que é fato e ficção em filmes e séries baseados em casos reais
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O real e a ficção em The Crown 3: da crise política aos dramas de família

Terceira temporada da série da Netflix acompanha o embate entre esquerda e direita na Inglaterra nos anos 60, enquanto observa os bastidores da realeza

Por Raquel Carneiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 25 nov 2019, 10h40 - Publicado em 22 nov 2019, 07h02

(O texto a seguir apresenta spoilers da terceira temporada de The Crown)

Logo em seu primeiro episódio, a terceira temporada de The Crown mostrou a que veio. Em 47 minutos, o capítulo exibe a ascensão ao poder de um primeiro-ministro de esquerda, o medo da monarquia em sucumbir, a absurda história de um espião da KGB que vivia no Palácio de Buckingham e a morte de Winston Churchill, uma das mais proeminentes figuras da história da Inglaterra. Mais política que suas fases anteriores, a série da Netflix destrincha o intricado momento histórico do Reino Unido entre 1964 e 1977. Sem deixar, claro, de bisbilhotar os dramas – e que dramas – da poderosa família e o peso da coroa sobre suas cabeças.

Confira abaixo o que é real e o que é ficção na nova fase da série The Crown.

 

Um espião no Palácio

Sir Anthony Blunt (Samuel West), o curador de arte da rainha na série ‘The Crown’ (Divulgação/VEJA)

Uma das tramas mais absurdas da temporada é, quem diria, verdade — mas com uma pitada de rumores no final. Sir Anthony Blunt (interpretado por Samuel West) foi um curador de arte da família real e que atuou como espião da KGB durante a II Guerra Mundial. A monarquia desconhecia a vida dupla de Blunt, que foi recrutado pelos soviéticos na década de 1930, quando estudava na Universidade de Cambridge. Em 1939, ele entrou para o exército britânico e, em seguida, para o serviço de inteligência MI5. O espião passava informações secretas para a União Soviética, sobretudo o que os britânicos sabiam sobre os alemães. Em 1945, o então rei George VI, pai da rainha Elizabeth II, elege Blunt para trabalhar para a realeza. Quase dez anos depois, em 1964, o curador, delatado por um americano, fecha um acordo com o MI5, que ofereceu a ele imunidade caso confessasse. Blunt, que já não atuava mais como espião, pois havia se desiludido com o comunismo, confessou, mas continuou vivendo no Palácio de Buckingham e cumprindo suas obrigações por mais 15 anos: até 1979 quando Margaret Thatcher tornou pública a informação. A família real, então, lhe tirou o título de cavaleiro britânico.

O que não se sabe com certeza foi o motivo pelo qual tanto o MI5 quanto a realeza decidiram fazer vista grossa para o curador depois da descoberta. Não manchar a reputação da Inglaterra seria um dos motivos. Outro seria mantê-lo na posição para que a Rússia não desconfiasse que ele foi descoberto. A série prefere a primeira opção misturada com um rumor: Blunt teria subornado príncipe Philip dizendo ter retratos dele feitos por Stephen Ward, um osteopata e artista que se envolveu em um escândalo político e sexual na Inglaterra, e também teria vínculos com a União Soviética – óbvio, uma figura com quem a família real não deveria se relacionar.


Amizade de Harold Wilson com a rainha Elizabeth II

Harold Wilson (interpretado por Jason Watkins) à esquerda, e o verdadeiro Harold Wilson recebendo a rainha em sua casa para um jantar (à dir), logo após ele deixar o cargo de primeiro-ministro por problemas de saúde, em 1976 (Divulgação/Wesley/Keystone/Getty Images)

Quando Harold Wilson (interpretado por um ótimo Jason Watkins) vence as eleições e se torna primeiro-ministro da Inglaterra, a rainha (vivida por Olivia Colman) se preocupa: o representante do Partido Trabalhista é de esquerda, ou seja, inimigo da realeza. Para piorar, Wilson está envolto em rumores sobre ter atuado como espião para a KGB. Como mostra a série, de fato, o primeiro-ministro foi investigado pelo MI5 sobre a suposta associação com os soviéticos, o que não passava de fake news. Mas o mais impressionante, e que The Crown capta bem, foi a inesperada amizade de Wilson com Elizabeth II. Contra as expectativas, a dupla se deu muito bem e sabe-se que continuaram próximos mesmo depois do afastamento do primeiro-ministro da política. Biógrafos da rainha dizem que Wilson foi responsável por trazer os pezinhos da soberana para mais próximos do chão. Em troca, ela dava a ele espaço para desabafar sobre os dilemas do parlamento. “É o único momento que posso ter uma conversa profunda com alguém que não quer roubar meu emprego”, disse Wilson. Ele chegou a afirmar também que os momentos de conversa com a rainha eram leves — rumores dizem que ela permitia que o primeiro-ministro fumasse durante os encontros e ainda lhe servia drinks.

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Crise com os Estados Unidos – resolvida por Margaret

Margaret (Helena Bonham Carter) e o fotógrafo Antony Armstrong-Jones (Ben Daniels) em ‘The Crown’ (Netflix/Divulgação)

O segundo episódio direciona os holofotes para a princesa Margaret (agora interpretada por Helena Bonham Carter). A irmã e antagonista da rainha está de férias nos Estados Unidos, lidando com um casamento em frangalhos com Antony Armstrong-Jones (Ben Daniels), em 1965. Ao mesmo tempo, o Reino Unido enfrenta um de seus piores momentos econômicos, com uma dívida de 800 milhões de libras. Quando o primeiro-ministro, Harold Wilson, tenta em vão estreitar os laços com os Estados Unidos e o presidente Lyndon B. Johnson (Clancy Brown), para conseguir um empréstimo, ele implora à realeza que o ajude com uma pitada de diplomacia de luxo. A rainha convida o presidente para um fim de semana no Castelo de Balmoral, na Escócia – convite declinado pelo americano. Margaret se torna a última opção para fazer a ponte com o mandatário.

De fato, Lyndon B. Johnson e Elizabeth II nunca se encontraram pessoalmente – o que faz dele o único presidente americano entre os doze que chegaram ao poder desde a coroação da rainha a não conhecê-la. O motivo desse desencontro, porém, não se sabe. O convite recusado por ele na série é nada mais que ficção. Já Margaret realmente fez a tal viagem e causou em solo americano. Mas, ao contrário do que diz a série, a princesa não foi apenas coberta de elogios pela imprensa. Suas bebedeiras e grosserias foram manchete, assim como alfinetadas que ela disparou por todos os lados contra celebridades de Hollywood — enquanto isso, na Inglaterra, Margaret era criticada por torrar dos cofres públicos 30.000 libras com o passeio. De fato, ela e o marido jantaram com o presidente americano na Casa Branca – foi uma grande festa, mas não há indícios de que tenha sido tão agitada quanto The Crown sugere. Também não existem evidências de que o poder persuasivo de Margaret conseguiu a ajudinha financeira que o Reino Unido precisava – em 1966, porém, o governo americano aprovou o aporte, mas a saída emergencial dos britânicos na época foi apelar para a desvalorização da libra esterlina.


Fotos na banheira

Margaret (Helena Bonham Carter) à esquerda, na série ‘The Crown’, e a foto real da princesa na banheira feita pelo marido Antony Armstrong-Jones (Netflix/Antony Armstrong-Jones/Divulgação)

Figura que deu muita dor de cabeça à realeza, Margaret posou para fotos ousadas ao longo da vida. Uma famosa imagem, feita por seu marido, mostra a princesa, com a tiara de casamento, numa banheira – ao que tudo indica, apenas de tiara… A foto é real, mas ao contrário do que mostra a série, ela não foi feita durante a viagem aos Estados Unidos, mas sim em 1962, no apartamento do casal no Palácio de Kensington. A imagem se tornou pública em 2006, numa exposição do fotógrafo.


Tragédia de Aberfan

A tragédia de Aberfan retratada por ‘The Crown’ (Netflix/Divulgação)

Um dos melhores e mais cortantes episódios da temporada, o terceiro capítulo narra a tragédia ocorrida em 21 de outubro de 1966 em Aberfan, um vilarejo no País de Gales. Na data, uma escola e parte da vila foram soterradas após o colapso de uma mina de carvão. A avalanche deixou 144 mortos, sendo 116 crianças. Uma ferida aberta na história do Reino Unido, o desastre foi reproduzido com muito cuidado pela produção da série, que ouviu sobreviventes para recriar o caso. Estas pessoas, aliás, foram convidadas para participar de cenas como figurantes, e receberam apoio de psicólogos que trabalharam no set. “Contamos com ajuda de terapeutas para ajudar essas pessoas a recriar um momento tão terrível. Os moradores dali ainda são traumatizados pelo que aconteceu. E descobrimos que antes disso, eles nunca receberam apoio para cuidar da saúde mental”, contou a produtora Oona O’Beirn. Para ser menos invasiva, a produção da série não gravou em Aberfan, mas sim num vilarejo próximo chamado Cwmaman.


O atraso e o choro da rainha

Olivia Colman como rainha Elizabeht II na série The Crown: na cena, ela visita o cemitério onde estão as crianças vítimas da tragédia de Aberfan (Netflix/Divulgação)

De fato, a rainha levou oito dias após a tragédia para visitar o local. Segundo biógrafos, a soberana se arrependeu desse atraso. Ela foi aconselhada diversas vezes a fazer a viagem, mas teria dito que sua presença mais atrapalharia o processo de resgate do que ajudaria. Coube ao príncipe Philip (Tobias Menzies) representar a monarquia em uma visita oficial – o fotógrafo e marido de Margaret, Antony Armstrong-Jones, também viajou ao local, mas sem uma agenda oficial, apenas para registrar o ocorrido. Os dois ficaram demasiadamente comovidos. O episódio, porém, causou alvoroço entre os fãs da realeza ao sugerir que a lágrima derramada por Elizabeth II na visita teria sido falsa. A liberdade poética do roteiro – já que apenas a própria rainha pode afirmar se chorou ou não – serve para mostrar a dureza e sobriedade da soberana, que poucas vezes ao longo de seu reinado demonstrou emoção ou derramou lágrimas.

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A trajetória da princesa Alice, mãe de Philip

A atriz Jane Lapotaire como princesa Alice em ‘The Crown’ (à esquerda) e a verdadeira Alice com o filho, o príncipe Philip (à direita) (Netflix/Keystone-France/Gamma-Keystone/Getty Images)

Como disse Peter Morgan, criador de The Crown, à revista Vanity Fair, a história da princesa Alice de Battenberg, mãe do príncipe Philip, retratada no quarto episódio, é tão impressionante que nem a ficção daria conta de criar algo parecido. Sendo assim, a série opta pela fidelidade ao acompanhar a trajetória da princesa (vivida aqui por Jane Lapotaire). Alice de fato nasceu no castelo de Windsor e era bisneta da rainha Vitória. Ela se casou com o príncipe grego Andrew, em 1903, com quem teve quatro filhas e um menino, Philip. A família foi forçada ao exílio quando a monarquia grega caiu, em 1917. A situação ficaria mais conturbada na década de 1930, quando a princesa passou por uma crise religiosa. Internada em um manicômio, ela foi diagnosticada com esquizofrenia e submetida a tratamentos bizarros, como o uso de raio-x direcionado ao seu ovário, para que ela perdesse a libido. Livre do sanatório, ela se tornou freira, vendeu tudo o que tinha e fundou um mosteiro em Atenas para cuidar dos pobres e doentes. Em 1967, quando a Grécia sofreu um golpe de Estado, ela foi levada Palácio de Buckingham, onde ficou até sua morte, em 1969.


O fiasco do documentário da BBC e o jornalista do The Guardian

A princesa Anne (Erin Doherty) assiste ao documentário ‘Royal Family’ em ‘The Crown’ (Netflix/Divulgação)

Se The Crown conquista espectadores ao humanizar uma das famílias mais poderosas do mundo, o mesmo sucesso não foi alcançado pelo documentário Royal Family, exibido em 1969 pela BBC. Como mostra a série, os anos 1960 não foram fáceis para a realeza. Uma grave crise econômica e movimentos que quebravam com as regras da, por assim dizer, família tradicional Inglesa, colocaram a monarquia em contraste com o mundo real. As críticas ao documentário foram muitas, e de ambos os lados: desde os que viam a realeza como algo que deveria permanecer com sua aura de mistério e luxo — e não retratada em um filme —, até os que ficaram irados ao ver para onde parte do dinheiro dos impostos é destinado. A rainha Elizabeth II, então, exigiu que o longa nunca mais fosse exibido. Para mostrar o posicionamento antimonarquista mais contestador, a série personificou as alfinetadas em um personagem fictício, o jornalista John Armstrong, que representa a postura histórica do tradicional jornal inglês The Guardian, que, até hoje, não perde a chance de alfinetar a realeza.


Golpe frustrado

Lord Mountbatten (Charles Dance) em ‘The Crown’ (Netflix/Reprodução)

Na escalada totalitária da década de 1960 pelo mundo, a Inglaterra ficou livre de um golpe de Estado – mas foi por pouco, sugere The Crown. O quinto episódio da terceira temporada, batizado simplesmente de Golpe, mostra um conluio de homens da elite inglesa infelizes com o governo do primeiro-ministro de esquerda Harold Wilson. O articulador do golpe frustrado foi Cecil King (Rupert Vansittart), diretor do Banco da Inglaterra e de um conglomerado de mídia. Ele tentou convencer Lord Mountbatten (Charles Dance), tio do príncipe Philip, a se bandear para seu lado e liderar o movimento. A base democrática inabalável do Reino Unido, porém, foi o primeiro empecilho: que só poderia ser quebrado pela rainha, alguém com apelo popular e que teria o poder de dissolver o parlamento e nomear um novo primeiro-ministro, se achar necessário. A história na vida real é nebulosa e baseada em muitos rumores. Sabe-se que, sim, Cecil King tinha pavor de Wilson e tentou criar um movimento em 1968 que o destituísse do cargo. Sabe-se também que de fato Mountbatten foi convidado a fazer parte do movimento. A série, porém, cria todo o resto, inspirada em teorias da conspiração e diversos livros — entre eles, a autobiografia de Hugh Cudlipp, jornalista que trabalhou por duas décadas no Daily Mail, subordinado de King, que entrevistou os envolvidos no caso.


Philip, os astronautas e a crise de meia-idade

Tobias Menzies como príncipe Philip, em ‘The Crown’ (Netflix/Reprodução)

No sétimo episódio, intitulado Poeira Lunar, The Crown faz um paralelo entre um evento real, a chegada do homem à Lua, em 1969, e uma crise de meia-idade do príncipe Philip. O ex-piloto fica obcecado pela missão Apollo 11 e, quando os três astronautas (Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins) visitam o Palácio de Buckingham, ele solicita uma reunião particular com o trio – que o deixa decepcionado ao perceber que são apenas jovens regrados, e não grandes aventureiros. De fato os astronautas visitaram o palácio durante sua turnê mundial e se encontraram com a rainha. E sim, Neil Armstrong estava resfriado: ele chegou a espirrar diante da soberana. Não há evidências, contudo, de que uma reunião privada entre os rapazes e o príncipe tenha acontecido, ou que ele tenha julgado a capacidade intelectual dos americanos. O que é real no episódio é que Philip passou por uma espécie crise ao se aproximar dos 50 anos de idade – que teria sido amenizada pela amizade com o decano Robin Woods (que se tornou, mais tarde, bispo anglicano, interpretado na série por Tim McMullan). Os dois fundaram juntos a St. George’s House — um refúgio para religiosos em crise que, com o tempo, se tornou uma espécie de “coach” para pessoas influentes da sociedade inglesa em busca de crescimento espiritual e mental.


Margaret: o caso extraconjugal e a tentativa de suicídio

Roddy Llewellyn (Harry Treadaway) e Margaret (Helena Bonham Carter) em ‘The Crown’ (Netflix/Reprodução)

A conturbada vida da princesa Margaret pauta o último e interessante episódio da terceira temporada, batizado de Cri de Coeur (grito por socorro, em tradução livre da expressão francesa). No capítulo, a princesa sofre por ser deixada de lado pelo marido, que está tendo um caso. Em uma viagem para espairecer, ela conhece o bonitão Roddy Llewellyn (Harry Treadaway), 17 anos mais novo que ela. Ao fim, solitária, ao encarar o fim do casamento e do caso, ela toma ansiolíticos no que parece ser uma tentativa de suicídio.

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Todos os elementos do episódio são reais, mas são também um recorte de uma longa história condensada em uma ordem cronológica diferente. Tanto Margaret quando Antony Armstrong-Jones tiveram casos extraconjugais. O fotógrafo manteve um longo caso com Lucy Hogg (Jessica De Gouw), chamada de “coisa” pela princesa. Já Margaret se encantou especialmente por Roddy, um garotão com talento para jardinagem — o relacionamento deles durou bem mais que alguns dias como retratado na série: eles ficaram oito anos juntos. Os dois se conheceram em 1973 e as fotos do casal no Caribe, que provocou um saboroso escândalo para os tabloides, aconteceu três anos depois, em 1976 – Antony, então, aproveitou o babado para pedir o divórcio, que se concretizou em 1978, um ano depois do jubileu de prata da rainha, retratado na série em meio a todo esse imbróglio. Margaret realmente tomou ansiolíticos em excesso – especula-se, porém, que tenha sido por ciúme de Roddy.

Curiosidade: a cena em que Margaret leva o rapazote para comprar roupa de banho, e insiste para que ele fique com uma sunga estampada com a Union Jack (a bandeira do Reino Unido), é pura verdade.

Clique na foto abaixo e saiba o que é real e o que é ficção no modo como The Crown retrata a juventude de Charles e Anne na terceira temporada.

Príncipe Charles (Josh O'Connor) e princesa Anne (Erin Doherty) em 'The Crown'
Príncipe Charles (Josh O’Connor) e princesa Anne (Erin Doherty) em ‘The Crown’ (Des Willie/Netflix)
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