Um vegetal do qual tudo se aproveita; que se planta com facilidade e que, uma vez que germina, produz fartamente, resistindo a diferentes climas. Além disso, tem bastante água e fibras e poucas calorias, podendo ser aproveitado de diferentes formas, de sopas e saladas a sobremesas. Ora, um ingrediente assim é uma riqueza e poderia estar no cardápio todos os dias. Mas estamos falando de um grande injustiçado: o chuchu.
Nativo das regiões montanhosas do sul do México e da Guatemala, muito antes da chegada dos europeus o chuchu já era cultivado pelos povos mesoamericanos. Estes consumiam não apenas o fruto, mas também os brotos, as folhas e até a raiz das plantas mais velhas. Seu nome original no idioma náuatle é chayotli, “abóbora espinhosa”, que deu em chayote, adotado em boa parte do mundo.
Quando chegaram ao Novo Mundo, no século 16, os espanhóis encontraram o chuchu nas feiras indígenas. Logo ele embarcou nas rotas marítimas ibéricas, alcançando o Caribe, a América do Sul, as Filipinas, a Índia e diversas regiões tropicais da África e da Ásia.
Em toda parte adaptou-se com facilidade porque parece ter nascido para viajar. Generoso, germina sozinho a partir de uma única grande semente, guardada no seu centro. Basta plantar o fruto já brotado e a natureza faz o resto. A trepadeira cresce depressa, cobre cercas, caramanchões e muros e produz dezenas, às vezes centenas de frutos. Não por acaso, “pé de chuchu” virou sinônimo de fartura em muitas regiões do Brasil.
Talvez essa abundância tenha contribuído para sua fama de sem graça. Ao contrário da batata, do milho ou do tomate, que revolucionaram a alimentação em diferentes partes do mundo, o chuchu nunca ocupou o centro das atenções.
Como seus primos abobrinha, pepino, melão e melancia, o chuchu é, em grande parte, composto de água. Essa característica lhe dá a suavidade que, para muitos, é um defeito. Dificilmente alguém vai tê-lo entre seus ingredientes favoritos. Então não deixa de ser irônico que seu nome sugira o oposto.
Chuchu vem de “chouchou”, nome que o vegetal ganhou ao aportar nas Antilhas francesas. Curiosamente, essa palavra já era usada na França desde o século 18 para designar alguém “queridinho”, um “favorito”.
Confesso que, quando comecei a reorientar meu paladar e minha vida para escolhas mais saudáveis, também não via graça no chuchu e inventei um estratagema: usava refrescos em pó, em sabores cítricos, como tempero. Com o tempo, aprendi a tirar partido de suas qualidades para fazer pratos com substância, mas leves, como suflê.
O chuchu é como aquele companheiro que trabalha bem em equipe, que se adapta às circunstâncias e joga a favor do conjunto harmonioso, fazendo volume sem fazer barulho. É tão versátil que, em tempos de escassez e de frutas caras, ele as substituiu muitas vezes, em compotas perfumadas com coco, cravo e canela, capazes de enganar muita gente.
Poucos vegetais conseguem, ao mesmo tempo, ser tão polivalentes. Nunca é tarde para entendermos suas muitas qualidades e vê-lo já não mais como um coadjuvante desprezado, dando-lhe a chance de ocupar, de vez em quando, o papel de queridinho da cozinha cotidiana.






![[RELAMPAGO] PAYWALL (728 x 90 px) Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo e branco, ao lado de Você pediu, a gente ouviu! em branco. À direita, capas de revistas e um celular com tela ligada, e um ícone de árvore à esquerda.](https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/07/RELAMPAGO-PAYWALL-728-x-90-px.gif)
![[RELAMPAGO] PAYWALL - 328x79 Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo neon, acompanhado de um raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: SUPER com um copo de milk-shake, VEJA com paisagem e MUNDO ESTRANHO com carros. Um ícone de árvore estilizada no canto superior direito](https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/07/RELAMPAGO-PAYWALL-328x79-1.gif)