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Claudio Lottenberg Mestre e doutor em Oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), é presidente do Instituto Coalizão Saúde e do conselho do Hospital Albert Einstein

É preciso acelerar a vacinação de crianças e adolescentes

Somente a cobertura completa reduz a transmissão do coronavírus

Por Claudio Lottenberg Atualizado em 24 Maio 2022, 17h54 - Publicado em 24 Maio 2022, 17h53

Na última terça-feira a Food and Drug Administration (FDA), autoridade sanitária dos EUA, aprovou o uso emergencial da dose de reforço da vacina da Pfizer contra a Covid-19 para as crianças de 5 a 11 anos que tiverem concluído o esquema vacinal há pelo menos cinco meses. Apenas 29% das crianças dessa faixa etária receberam as duas doses no país. Em janeiro a FDA já havia autorizado a dose de reforço para crianças de 12 a 15 anos.

Dados da Pfizer apontam que a terceira dose aumentou 36 vezes o número de anticorpos de combate à variante Ômicron, altamente infecciosa, nas crianças entre 5 e 11 anos.

Estudos do Departamento de Saúde do Estado de Nova York e do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) mostraram que a eficácia de duas doses da vacina da Pfizer em crianças de 5 a 12 anos caiu de 68% para cerca de 12% durante o surto da Ômicron.

Embora o coronavírus seja mais perigoso para os adultos do que para as crianças, estas são vetores para transmissão do vírus e também podem desenvolver formas graves da doença. Mais de 350 crianças de 5 a 11 anos já morreram de Covid-19 no país, de acordo com o CDC.

A medida chega em muito boa hora, pois na semana passada os EUA registraram 605.000 novos casos da doença, um aumento de 33% em relação à semana anterior, o que permite supor que o país está diante de uma nova onda de contágios.

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O cenário atual no Brasil também é motivo de preocupação. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou um boletim no dia 19 em que alerta para “a estagnação no crescimento da cobertura vacinal na população adulta, além da desaceleração da curva de cobertura de terceira dose, especialmente pela adesão substancialmente menor de adultos à aplicação da dose de reforço”.

Segundo dados do Ministério da Saúde, 80% dos maiores de 25 anos estão com o esquema vacinal completo. Mas nos grupos mais jovens a dose de reforço continua abaixo da média considerada satisfatória. Entre as crianças com idades entre 5 e 11 anos, 60% tomaram a primeira dose e apenas 32% completaram o esquema vacinal.

Em um contexto marcado pela redução do incentivo ao uso de máscaras como medida de proteção coletiva e o fim da obrigatoriedade da apresentação do passaporte vacinal, a vacinação assume ainda mais importância.

Vale lembrar que a cobertura vacinal completa reduz a transmissão do vírus, o que leva à diminuição da mortalidade e da gravidade dos casos. Isso foi comprovado por estudos clínicos controlados e pelas evidências do mundo real. Assim, a ampliação da vacinação – especialmente em regiões com baixa cobertura e a administração de doses de reforço em grupos etários mais vulneráveis – é fundamental para reduzir ainda mais a mortalidade e as internações.

Diante desse quadro, os responsáveis pelas políticas públicas de saúde do nosso país têm o dever de acelerar a vacinação de crianças e adolescentes e conscientizar os pais sobre sua importância e segurança. É a resposta que a sociedade brasileira precisa e espera.

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