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Ou o governador e o prefeito garantem a ordem pública ou instalam um camarote na Avenida Paulista para aplaudir de pé o desfile dos novos donos da cidade

Na primeira manifestação convocada pelo Movimento Passe Livre, um ajuntamento de exotismos da fauna brasileira cujos pajés não aceitam menos que viajar de graça em todos os meios de transporte público, o prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin fizeram de conta que foram surpreendidos pela audácia dos baderneiros. Na segunda, os encarregados de […]

Por Augusto Nunes
Atualizado em 31 jul 2020, 06h02 - Publicado em 12 jun 2013, 22h13

Na primeira manifestação convocada pelo Movimento Passe Livre, um ajuntamento de exotismos da fauna brasileira cujos pajés não aceitam menos que viajar de graça em todos os meios de transporte público, o prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin fizeram de conta que foram surpreendidos pela audácia dos baderneiros. Na segunda, os encarregados de garantir a ordem pública na maior metrópole da América Latina fizeram de conta que nem desconfiaram que os vândalos sem cura reprisariam o espetáculo da selvageria. Nesta terça-feira, quando o centro de São Paulo foi engolfado por outro aluvião de violências absurdas, Alckmin e Haddad estavam a mais de 9 mil quilômetros de distância da zona conflagrada.

Entrincheirada no Hotel Matignon, em Paris, a dupla lutava pela vitória de São Paulo na eleição, marcada para novembro, da sede da Expo 2020. Escolhas do gênero, como sabem até os bebês de colo, não são decididas em conchavos no quarto de um hotel, nem teu seu desfecho subvertido por apresentações audiovisuais que deixam até Taquaritinga com cara de Londres. Nada mudaria se lá estivesse só o prefeito, só o governador ou nenhum dos dois. Mas político brasileiro jamais perde a chance de passear na capital da França e espetar a conta no bolso de quem paga imposto. Menos experiente que o companheiro de viagem, Haddad resolveu explicar o inexplicável. O palavrório só serviu para confirmar que São Paulo é administrada por um poste que fala.

“Se eu não viesse, a candidatura seria prejudicada”, recitou o prefeito enquanto representantes de cidades concorrentes  transformavam em material de campanha fotos e textos que descreviam a metrópole subjugada por rebeldes que reivindicam o impossível para eternizar o impasse. Congestionamentos de dimensões amazônicas, ônibus em chamas, estações de metrô incendiadas por coquetéis molotov, postos policiais em em frangalhos, relíquias arquitetônicas pichadas, batalhas de rua entre PMs que rechaçavam com gás lacrimogêneo e balas de borracha a multidão armada de paus e pedras, estabelecimentos comerciais fechados às pressas e a generalizada sensação de insegurança desenharam uma paisagem da terra sem lei.

E sem governantes, confirmou Haddad na continuação do palavrório. Para que a prefeitura não ficasse acéfala, ele deixara em seu lugar a vice Nádia Campeão. Antes que alguém lembrasse que a interina é militante do PCdoB, uma das seitas envolvidas nas manifestações, Haddad avisou que continuaria a cuidar de São Paulo sem sair do hotel. Para tanto, encomendara a montagem de uma “sala de situação”. A foto abaixo mostra a situation room em que o presidente Barack Obama e os principais integrantes do governo americano acompanharam a operação militar que resultou na captura e morte do terrorista Osama Bin Laden. Haddad não revelou em qual suíte iria brincar de Obama. Foi o único indício de que ainda não perdeu o juízo de vez.

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Os viajantes prometeram voltar a São Paulo nesta quinta-feira. Os baderneiros prometeram voltar às ruas no mesmo dia. Só não cumprirão a promessa se o governador e o prefeito descobrirem a tempo que a opção pela covardia acabará por reduzi-los a cúmplices das tropas fora-da-lei. Segundo o artigo 144 da Constituição, “a segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”. O parágrafo V determina que a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública são atribuições da Polícia Militar, que é subordinada ao governador.

“É intolerável a ação desses baderneiros e vândalos”, disse Alckmin nesta quarta-feira. Se é assim, que se deixe imediatamente de tolerar o  intolerável. Já passou da hora de mostrar que a polícia é um instrumento a serviço do Estado Democrático de Direito. Pacificamente, todo cidadão pode reivindicar o que quiser ─ da permissão para casar-se num cartório com a própria mãe ao direito de tornar-se inimputável como Lula. Manifestações de violência têm de ser reprimidas a qualquer custo e sufocadas ainda na fase de gestação.

Para isso existem o serviço de inteligência, o policiamento intensivo e a vigilância ostensiva. ostensivo. Milhões de paulistanos exigem que Alckmin e Haddad desencadeiem a contra-ofensiva destinada a mostrar que ninguém está acima das normas legais. Ou fazem isso ou instalam um camarote na Avenida Paulista para aplaudir de pé os desfiles dos novos donos de São Paulo.

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