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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

“É uma brasa, Moro” e outras seis notas de Carlos Brickmann

Publicado na Coluna de Carlos Brickmann Terminam hoje as férias do Judiciário. É o retorno em grande estilo das operações da Lava Jato. O procurador Deltan Dallagnol, da força-tarefa que investiga o caso, dá números que prometem fortes emoções: diz que a Lava Jato, por enquanto, atingiu um terço das pessoas que deverão ser alcançadas, […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 30 jul 2020, 23h41 - Publicado em 20 jan 2016, 18h09

Publicado na Coluna de Carlos Brickmann

Terminam hoje as férias do Judiciário. É o retorno em grande estilo das operações da Lava Jato. O procurador Deltan Dallagnol, da força-tarefa que investiga o caso, dá números que prometem fortes emoções: diz que a Lava Jato, por enquanto, atingiu um terço das pessoas que deverão ser alcançadas, entre políticos, empresários e agentes públicos. Fora isso, os pedidos de informações e de apurações feitos a países estrangeiros abrirão novas vertentes de investigações. Nos cálculos do procurador, a Lava Jato deve durar mais uns três anos.

E o trabalho não se limita ao Ministério Público Federal: em São Paulo, o MP estadual está ouvindo 20 pessoas na investigação dos negócios da Bancoop ─ a cooperativa habitacional dos bancários, que quebrou sem entregar a cerca de 400 compradores os imóveis vendidos e pagos; mas que, com apoio da empreiteira OAS, entregou aquele companheiríssimo apartamento triplex do Guarujá, de frente para o mar, com detalhes exclusivos que incluíram até elevador interno privativo. A Bancoop era dirigida por João Vaccari, que depois foi tesoureiro do PT e da campanha de Dilma à Presidência da República. E a OAS é apontada como a fada que multiplica bons presentinhos a políticos amigos e influentes.

O juiz Sérgio Moro, de Curitiba, que volta retemperado das férias, já vinha trabalhando há alguns dias, preparando a retomada do ritmo da Lava Jato. E, embora tudo indique que a marchinha Japonês da Federal será um sucesso carnavalesco, há gente que já teme a oportunidade de encontrá-lo antes do Carnaval.

A crise da Petrobras

A Petrobras já não está entre as 500 maiores empresas do mundo. A ação sem direito a voto está a menos de R$ 5,00 ─ o menor preço desde 1999. O valor global da empresa caiu 27% nos 20 dias de 2016. De 2008 para cá, a empresa perdeu 85,5% do valor de mercado. Por que? Fala-se em baixa do petróleo, que caiu de mais de US$ 100 o barril para menos de US$ 30 em alguns meses ─ mas a Petrobras cresceu com o barril a US$ 3, ou menos; e cresceu quando o preço pulou para US$ 12.

Energias alternativas? Quando o álcool deslanchou no Brasil, a Petrobras continuou crescendo.

Ladroeira? Roubou-se muito: dizem que só o PP, um anão diante de PT e PMDB, pegou R$ 358 milhões, e Pedro Barusco, um gerente, decidiu devolver quase US$ 100 milhões que estavam com ele. Mas ninguém pode dizer que antes nunca se roubou. E a Petrobras se manteve saudável.

Competência só no roubo

A Petrobras não perdeu valor por problemas externos, mas por unir ordenha descontrolada e incompetência gerencial. Se o diretor é escolhido por saber sugar a empresa, não se vai exigir que seja também competente. Enquanto houve competência, a Petrobras cresceu e se transformou numa gigante mundial.

O lendário John D. Rockefeller, criador da Standard Oil, dizia que o melhor negócio do mundo era uma empresa de petróleo bem administrada; e o segundo melhor negócio era uma empresa de petróleo mal administrada. A Petrobras comprovou essa tese: para perder tanto, precisou juntar má gestão com muito desvio.

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Vale a aposta

O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, disse que o governo não acha necessário buscar recursos no Tesouro para dar fôlego à Petrobras. Já Dilma disse que a possibilidade de o governo capitalizar a Petrobras não está descartada.

Façam suas apostas. Este colunista acha que Dilma ganha e Barbosa se cala.

A vida real

Há jornais dizendo que os adversários do prefeito paulistano Fernando Haddad, do PT, temem sua chegada ao segundo turno. A verdade: o Ibope acaba de divulgar pesquisa sobre a popularidade do prefeito petista. É devastadora. Sua avaliação é a pior que já teve (e a anterior já era baixíssima): dos 15% entre ótimo e bom, em 2015, caiu para 13%. O desgosto com Haddad (avaliação ruim ou péssima) subiu de 40% para 56% em um ano. Os que o avaliavam como regular caíram de 45%, há 12 meses, para 31%.

A menos que ocorra uma improvável reviravolta, Haddad logo deixa de ser conhecido como o prefeito Suvinil (por adorar passar tinta no chão da cidade) e ganha o apelido de Haddad, o Breve.

Escorregando

Haddad vem mal nas pesquisas faz tempo. Em outubro, já era o campeão da rejeição: 71,5% dos entrevistados disseram que não votariam nele em hipótese alguma (contra 5,9% que votariam nele com certeza). O ex-presidente Lula, que criou Haddad como candidato, tem dado conselhos ao prefeito, mas se queixou a vários amigos de que não adianta: ele não ouve ninguém.

Comparando

Talvez o motivo não seja este. Mas pode ser que o Brasil esteja mal por ter um governo inchado. Nos Estados Unidos, há dois senadores por Estado. No Brasil, três. Nos EUA, são 435 deputados federais para 300 milhões de habitantes. No Brasil, 513 para 200 milhões de habitantes. A Suprema Corte tem nove ministros, com 320 funcionários; o STF tem onze ministros, com 1.600 funcionários. O presidente Obama tem 19 ministros.

A presidente Dilma teve 39. Hoje tem 39, já que ministérios supostamente extintos mantêm intacta sua estrutura.

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