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Vaca geneticamente modificada produz leite sem proteína causadora de alergia

Ao alterar RNA do animal, pesquisadores conseguiram impedir produção da proteína beta-lactoglobulina, uma das responsáveis pela alergia à proteína do leite de vaca

Por Da Redação - Atualizado em 6 maio 2016, 16h26 - Publicado em 1 out 2012, 17h34

A alergia ao leite de vaca atinge principalmente crianças com até dois anos de idade, e costuma causar diarreia, irritações na pele e dificuldades para respirar. Isso ocorre porque o leite da vaca possui proteínas diferentes do leite humano – que podem levar o sistema imunológico a reagir contra a sua presença. Uma das principais causadoras da alergia ao leite é a proteína beta-lactoglobulina (BLG). Agora, pesquisadores da AgResearch, um instituto estatal de pesquisa da Nova Zelândia, produziram uma vaca geneticamente alterada que não produz a BLG em seu leite – que poderia, em teoria, ser consumido por crianças alérgicas.

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RNA

Molécula conhecida como ácido ribonucleico, que consiste em uma longa fita composta por nucleotídeos. Ele normalmente é produzido pelo DNA, que é composto por duas fitas de nucleotídeos. O RNA está envolvido na transmissão do código genético e é responsável pela produção de proteínas e manutenção de todos os processos do organismo.

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Para chegar a esse resultado, os pesquisadores alteraram o RNA dentro das células do animal, de modo a impedir que os genes de seu DNA expressassem a proteína. O estudo foi publicado nesta segunda-feira na revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences).

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Como a produção de vacas geneticamente modificadas é muito cara, os pesquisadores realizaram os primeiros testes em ratos. Os ratos não produzem o BLG naturalmente, então eles tiveram de criar animais que copiassem as glândulas mamárias das ovelhas. Durante os testes, os pesquisadores descobriram duas novas moléculas de RNA que impediam a produção da BLG, e conseguiram reduzir a quantidade presente no leite do animal.

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Em seguida os pesquisadores produziram uma vaca geneticamente modificada para expressar os mesmos RNAs usados nos ratos. Quando eles testaram o leite produzido pelo animal, não foi possível encontrar nenhum indício da BLG. Sua ausência havia sido compensada pela presença maior de outras proteínas, principalmente as caseínas, o que poderia levar a maiores níveis de cálcio e alto rendimento para a manufatura de queijos.

Antes de chegar ao mercado, o leite terá de passar por inúmeros testes. Apesar de saber que a BLG causava alergias, os pesquisadores ainda não descobriram qual a sua função exata na composição do leite, e quais podem ser as consequências de sua ausência no produto. No futuro, os autores sugerem que o método de alteração do RNA poderá ser usado como uma ferramenta para modificar outros genes e, possivelmente, mudar as características de outros animais.

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