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Tempestade tropical deixa mais de 600 mortos nas Filipinas

A tempestade tropical Washi, que arrasa o sul das Filipinas desde sexta-feira, matou mais de 600 pessoas e deixou milhares de desabrigados, sem água e eletricidade, em uma paisagem de desolação invadida neste domingo pelo odor dos cadáveres em decomposição.

Washi, que chegou à costa das Filipinas na sexta-feira à noite, causou a morte de pelo menos 652 pessoas e mais de 808 estão na lista de desaparecidas, indicou neste domingo a Cruz Vermelha.

Aldeias inteiras foram varridas pelas águas, enquanto estradas e pontes foram destruídas, segundo testemunhas.

“As regiões afetadas são tão extensas que as buscas não puderam cobrir toda a região. Muitas casas foram arrastadas pelas águas, o que significa que os corpos (dos moradores) também foram levados”, declarou neste domingo à AFP Gwen Pang, secretária-geral desta organização.

“Por enquanto estamos apenas contando os cadáveres nos necrotérios”, explicou.

A ilha de Mindanao (sul), uma das regiões mais pobres das Filipinas, onde há uma rebelião separatista, foi a mais afetada. A tempestade tropical atingiu com especial força a cidade portuária de Cagayan de Oro e Iligan, disse Gwen Pang.

A tempestade também deixou estragos na pequena ilha de Negros. Na madrugada deste domingo chegou à ilha de Palawan (oeste), sobre o Mar da China Meridional, segundo os serviços meteorológicos.

O governo e a Cruz Vermelha das Filipinas lançaram chamados de ajuda para alimentar, vestir e abrigar mais de 35 mil pessoas refugiadas nos centros de evacuação.

As autoridades compararam Washi com o tufão Ketsana, um dos mais mortíferos dos últimos anos, que inundou grande parte de Manila em 2009, causando a morte de 464 habitantes.

Os Estados Unidos, ex-potência colonial, e a Grã-Bretanha apresentaram suas condolências.

O exército, que mobilizou cerca de 20 mil soldados, continuava retirando cadáveres enterrados sob montanhas de lama.

“Nossos esforços se mobilizam gradualmente das operações de socorro à reunião das famílias, à reabilitação e à reconstrução” das zonas devastadas, declarou o presidente da Cruz Vermelha das Filipinas, Richard Gordon, à televisão ABS-CBN, ao mesmo tempo em que pedia ajuda à Cruz Vermelha Internacional.

A tarefa será gigantesca, destacou Benito Ramos, diretor do organismo nacional para a prevenção das catástrofes.

A prioridade é a água, mas também será preciso restabelecer a eletricidade, retirar os escombros e reparar estradas e pontes, acrescentou.