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Sistema de análise de DNA permite descobrir características físicas de pessoas mortas há séculos

Método de descobrir cor de olhos e cabelos também podem ser usado para identificar detalhes de antigos restos humanos

Quando o assunto é história das espécies, incluindo a do ser humano, a análise do DNA de antigos restos mortais é de valor inestimável. Uma equipe de pesquisadores da Polônia e da Holanda criou uma nova técnica que permite determinar com precisão a cor de olhos e cabelos dos indivíduos a partir de amostras de DNA. Aplicada a restos humanos muito antigos, a técnica pode trazer cores à pesquisa antropológica.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Bona fide colour: DNA prediction of human eye and hair colour from ancient and contemporary skeletal remains

Onde foi divulgada: periódico Investigative Genetics

Quem fez: Jolanta Draus-Barini, Susan Walsh, Ewelina Pospiech, Tomasz Kupiec, Henryk Glab, Wojciech Branicki e Manfred Kayser

Instituição: Universidade Jagiellonian e Instituto de Pesquisa Forense, ambos na Polônia

Dados de amostragem: 21 dentes entre um e 800 anos e cinco ossos contemporâneos

Resultado: A pesquisa destaca o sistema HirisPlex como uma ferramenta promissora em casos forenses futuros envolvendo restos mortais, incluindo estudos de DNA antigo, para a previsão da cor dos olhos e cabelo de indivíduos mortos.

O novo sistema, chamado de HIrisPlex, serve para análise médico-legal. Usa técnicas de genética e de biologia molecular para ajudar em processos judiciais. O mesmo método é capaz de de revelar com sucesso as cores de olhos e cabelos de um indivíduo a partir de amostras de dentes de até 800 anos. O estudo foi publicado na última edição do periódico Investigative Genetics.

O sistema identifica 24 variações genéticas que podem ser analisadas para se deduzir a cor dos cabelos e dos olhos de quem morreu há centenas de anos. “O método poderá ser utilizado para resolver polêmicas históricas”, diz o Dr. Wojciech Branicki, do Departamento de Medicina-Legal da Universidade de Jagiellonian, em Cracóvia, na Polônia. Ele dirigiu o estudo em colaboração com o professor Manfred Kayser, da Universidade Erasmo de Rotterdam, na Holanda.

O sistema HIrisPlex conseguiu confirmar, por exemplo, que o primeiro-ministro do governo polonês no exílio , o general Wladyslaw Sikorski, que morreu em um acidente aéreo em 1943, tinha olhos azuis e cabelos louros, como retratam os quadros pintados após sua morte. Não existem fotos coloridas do militar.

Também foi possível atribuir cabelos louros escuros e olhos castanhos à mulher desconhecida encontrada em uma cripta na Abadia Beneditina de Tyniec, na região de Cracóvia, entre os séculos 12 e 14.

Para o estudo, 21 dentes com idades entre um e 800 anos e cinco ossos contemporâneos foram submetidos à extração de DNA e em seguida a uma análise utilizando o HIrisPlex. A conclusão dos pesquisadores é que o sistema HIrisPlex é adequado e suficientemente sensível e robusto para prever com sucesso a cor dos olhos e dos cabelos a partir de restos de esqueletos antigos e contemporâneos.