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Simetria bilateral surgiu 30 milhões de anos antes do que se acreditava

Pesquisadores canadenses acharam pegadas de fóssil de 585 milhões de anos

Uma pesquisa publicada na edição deste semana da revista Science, feita pela Universidade de Alberta, do Canadá, mostra que há 585 milhões de anos já existiam animais com simetria bilateral, característica presente em organismos mais complexos. O achado mais antigo de bilateralidade era de 555 milhões de anos atrás, encontrado na Rússia.

O estudo situa esse salto evolutivo 30 milhões de anos mais cedo do que se acreditava, ainda no Pré-Cambriano (intervalo de tempo que vai do surgimento da Terra até 542 milhões de anos atrás). Até então, acreditava-se que a simetria bilateral era uma característica que surgiu em seres vivos do Período Cambriano (de 542 a 488 milhões de anos atrás). Antes destes organismos mais desenvolvidos, havia os assimétricos, como os poríferos (esponjas do mar) ou os cnidários (medusas).

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SIMETRIA BILATERAL

Ocorre quando o animal é igual dos dois lados (direito e esquerdo). Essa característica evolutiva representou um salto no desenvolvimento da vida, porque permitiu a locomoção. “Antes, achava-se que essa simetria bilateral tivesse aparecido somente no período Cambriano, entre 555 e 510 milhões de anos atrás”, disse Eduardo Gorab, professor do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociência da USP. Agora, sabe-se que ela já existia há 585 bilhões de anos.

Os pesquisadores uruguaios Ernesto Pecoits e Natalie Aubet, da Universidade de Alberta, encontraram pegadas fossilizadas de um pequeno animal semelhante a uma lesma, no Uruguai. As marcas indicam que ele tinha musculatura suficiente para se mover de forma independente. “Isso indica uma adaptação para que pudesse procurar comida, como materiais orgânicos nos sedimentos”, disse Murray Gingrass, paleontologista da Universidade de Alberta.

Os pesquisadores não encontraram o fóssil do animal que deixou as pegadas, portanto não é possível saber qual a forma que ele tinha. Segundo Gingrass, esse tipo de descoberta dupla (pegadas e fóssil do corpo) é raro de acontecer. A idade dos rastros foi determinada a partir das rochas encontradas no local.

Salto de qualidade – Para Eduardo Gorab, professor do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociência da USP, a pesquisa evidencia que houve “um salto de qualidade” na interação do organismo com o ambiente. “Antes da simetria bilateral, os organismos dependiam do meio para se locomover, como as correntes marítimas. Com a evolução e a simetria bilateral, passaram a nadar e até se tornaram predadores, diversificando a fonte de alimentos”, afirma.