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Répteis marinhos que viveram há 150 milhões de anos sofriam de artrite, diz estudo

Pesquisadores da Universidade de Bristol descobriram desgaste em fóssil de um pliossauro encontrado no Sul da Inglaterra

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 16h36 - Publicado em 16 Maio 2012, 16h37

Paleontólogos da Universidade de Bristol, na Inglaterra, identificaram pela primeira vez sinais de uma doença semelhante à artrite humana em um fóssil de um réptil marinho pré-histórico. A pesquisa, publicada nesta quarta-feira na revista Palaeontology, foi feita a partir de um crânio de dois metros de um pliossauro fêmea que habitou as águas do Sul da Inglaterra, há 150 milhões de anos.

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PLIOSSAURO

Os pliossauros são animais parentes de cobras e lagartos. Temidos predadores, os pliossauros ocupavam o topo da cadeia alimentar marinha durante o período jurássico (entre 199 milhões e 145 milhões de anos atrás). Com mandíbulas gigantes e dentes de 20 centímetros de comprimento, esse animal era capaz de estraçalhar suas presas, geralmente lulas, peixes e outros répteis marinhos. Chegavam a ter oito metros de comprimento. Tinham uma cabeça parecida com a dos crocodilos atuais, pescoço curto, corpo similar ao de uma baleia e quatro barbatanas para se movimentar na água.

ARTRITE

Doença provocada por uma reação do próprio corpo que faz as articulações, as junções entre os ossos, se inflamarem, causando dor e inchaço. Mais frequente nas mulheres que nos homens, a artrite atinge 1% da população mundial e aproximadamente 1,5 milhão de brasileiros.

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Desde sua descoberta até a realização do estudo, o fóssil vinha sendo mantido na coleção do Museu e Galeria de Arte da cidade de Bristol.

A análise do fóssil permitiu aos pesquisadores descobrir sinais de uma degeneração similar à artrite humana, que corroeu a articulação da mandíbula esquerda e provocou o seu deslocamento da parte inferior para um lado.

Judyth Sassoon, autora do artigo e pesquisadora da Universidade de Bristol, acredita que o animal tenha vivido com a mandíbula torta por muitos anos. Ela faz essa afirmação com base nas marcas encontradas na mandíbula inferior, que, provavelmente, foram causadas pelos dentes superiores durante a alimentação.

“Da mesma forma que seres humanos com idade avançada desenvolvem artrite nos quadris, essa ‘senhora’ desenvolveu artrite em sua mandíbula e sobreviveu com esse problema por algum tempo. Mas a fratura não curada indica que em algum momento a mandíbula enfraqueceu e eventualmente quebrou. Com a mandíbula quebrada, o pliossauro não seria capaz de se alimentar e isso provavelmente a levou à morte”, explica Sassoon.

Mike Benton, coautor da pesquisa, explica que doenças semelhantes são encontradas em animais de hoje. “É possível ver esse tipo de deformidades em animais vivos, como crocodilos e em baleias cachalotes. Deve ser doloroso, mas esses animais podem sobreviver por anos com esse tipo de desgaste.”

Para os pesquisadores, o caso desse pliossauro é um raro exemplo de como o estudo de doenças em fósseis de animais, ciência chamada de paleopatologia, pode ajudar os cientistas a reconstruir a história de vida e o comportamento de animais extintos e mostrar que “mesmo um jurássico matador pode sucumbir por doenças causadas pela idade avançada.”

(Com Agência EFE)

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