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Quasicristais são ‘extraterrestres’, dizem pesquisadores

Formação sólida semelhante aos cristais chegaram na Terra 'de carona' com um meteorito do início da formação do Sistema Solar

Eles tiveram sua forma negada pela comunidade científica por quase 30 anos. Agora, a procedência também entra em debate ao serem classificados como de origem “extraterrestre”. São os quasicristais que estão em foco, de novo, no meio científico.

Em um artigo do periódico científico Reports on Progress in Physics, uma publicação da IOP (Instituto de Física, na sigla em inglês), os físicos Paul J. Steinhardt e Luca Bindi relatam suas conclusões após uma longa expedição à Rússia em busca da fonte natural deste sólido.

Os cientistas defendem a tese de que na Terra não há condições físicas para a formação desses materiais e que eles chegaram “de carona” em um meteorito no período glacial, há quinze mil anos.

quasicristal

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QUASICRISTAIS

São estruturas ordenadas da matéria, mas que não são periódicas. Também chamados sólidos quase-periódicos, são maus condutores de eletricidade e extremamente duros e resistentes à deformação, por isso podem ser usados como materiais protetores antiaderentes.

Fora do padrão – Os quasicristais foram observados pela primeira vez em 1982 pelo físico israelense Daniel Shechtman. Em seu microscópio, Shechtman viu que os átomos se organizavam por meio de padrões que não se repetiam. Antes da descoberta do quasicristal, acreditava-se que todos os sólidos, fossem eles sintéticos ou naturais, formam-se de cristais comuns cuja estrutura é feita de um único agrupamento de átomos, que se repetem a intervalos regulares.

A descoberta de Shechtman derrubou os conceitos vigentes. No entanto, ela só foi reconhecida pela comunidade científica no ano passado, quando Shechtman recebeu o prêmio Nobel de Química.

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Laboratório – A estrutura dos quasicristais já foi reproduzida artificialmente e é usada em panelas antiaderentes, lâminas de barbeadores, e isolantes térmicos. Mas somente uma amostra natural havia sido documentada até então – ele está no Museu de História Natural da Itália.

Em busca da “fonte” dessa amostra, a expedição – com dez cientistas, dois motoristas e um cozinheiro – percorreu 230 quilômetros pelas montanhas Koryak, na Rússia, e recolheu uma tonelada e meia de sedimentos em córregos e montanhas.

Após muitas investigações, eles descobriram a amostra havia sido retirada em 1979 de uma área remota do Chukotka, nas montanhas russas. No verão de 2010, os pesquisadores concluíram que a amostra vinha de um meteorito – não de qualquer meteorito, mas de um condrito carbonáceo de 4,5 bilhões de anos, formado no início do Sistema Solar.

Agora, os pesquisadores deverão fazer análises mais aprofundadas das amostras para responder algumas questões. “Como pode se formar um quasicristal dentro de um meteorito complexo?”, disse Steinhardt. Para ele, os estudos poderão trazer mais informações sobre o Sistema Solar. “Essa é a ponta do iceberg”, falou Steinhardt.