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Primeiro mamífero placentário surgiu após a extinção dos dinossauros

Pesquisa descreve como e quando evoluiu o grupo que reúne a maior parte dos mamíferos, incluindo os homens

Por Da Redação - Atualizado em 6 maio 2016, 16h23 - Publicado em 9 fev 2013, 01h03

Após uma pesquisa que durou mais de seis anos, cientistas conseguiram reconstruir o animal que seria o ancestral de todos os mamíferos placentários, grupo que reúne mais de 5.100 espécies de mamíferos nas quais os filhotes são nutridos ainda no útero materno, por meio de placenta. Fazem parte desse grupo animais como as baleias, morcegos, ratos, tigres, elefantes e homens – só ficam de fora os mamíferos que botam ovos, como o ornitorrinco, e os marsupiais, como o canguru. Segundo o estudo, todo esse grupo extremamente diverso teria origem em um único animal peludo e pequeno, que não pesava mais de 245 gramas, e se alimentava de insetos. Ao contrário do que apontavam pesquisas anteriores, ele teria surgido depois da extinção dos dinossauros. A pesquisa faz parte de um programa chamado Montando a Árvore da Vida, e foi publicada nesta quinta-feira na revista Science.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: The Placental Mammal Ancestor and the Post-K-Pg Radiation of Placentals

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Onde foi divulgada: revista Science

Quem fez: Maureen A. O’Leary,Timothy J. Gaudin, Michael J. Novacek, Fernando A. Perini, Marcelo Weksler

Instituição: Museu Americano de História Natural

Dados de amostragem: Informações morfológicas e genéticas de 86 espécies de mamíferos placentários catalogados no MorphoBank.

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Resultado: Os pesquisadores conseguiram traçar uma árvore da vida dos mamíferos placentários. Segundo os dados, o ancestral em comum de todos eles seria um animal pequeno que se alimentava de insetos e viveu centenas de milhares de anos após a extinção dos dinossauros.

Normalmente, as tentativas de traçar as origens em comum e as relações evolutivas entre diversas espécies se baseiam em dois tipos de dados: os genéticos, encontrados no DNA, e os morfológicos e comportamentais, que podem ser obtidos pela observação do animal ou de seus fósseis. A história dos mamíferos placentários já foi analisada dos dois modos, com resultados muito diferentes. Uma das teorias mais famosas, baseada apenas em dados genéticos, previu que um pequeno número de espécies placentárias viveu no final da Era Mesozoica e foi capaz de sobreviver à extinção que acabou com todos os dinossauros não avianos.

Outras análises, baseadas na anatomia, mostraram que eles haviam surgido milhões de anos depois disso. Até a pesquisa desta semana, nenhuma havia juntado os dois tipos de informações. “Apesar das contribuições consideráveis das sequências de DNA ao estudo das relações entre as espécies, os dados morfológicos têm um papel maior na reconstrução direta de árvores da vida. Entre esses dados, estão características preservadas em fósseis dos quais é impossível recuperar o DNA”, disse Michael Novacek, pesquisador do Museu Americano de História Natural e um dos autores do estudo.

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ERA MESOZOICA

Compreende o período Triássico, Jurássico e Cretáceo, entre 251 milhões de anos até 65,5 milhões de anos atrás. Foi marcada pelo aparecimento e extinção dos dinossauros.

Árvore da Vida – Os cientistas usaram informações contidas no MorphoBank, um banco de dados financiado pela Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos, disponível na internet e aberto ao público. Eles estudaram os traços de 86 espécies de mamíferos placentários, das quais 40 já estão extintas e só são conhecidas por meio de fósseis. O banco de dados resultante tem mais de 4.500 características desses animais, como a presença de asas, tipos de dentes, ossos e pelos e estruturas cerebrais, além de 12.000 imagens. A quantidade de informação é 10 vezes maior do que a que havia sido usada nos estudos anteriores.

A análise dos dados mostra que os mamíferos placentários surgiram rapidamente após a extinção dos dinossauros, com o ancestral em comum aparecendo de 200.000 a 400.000 anos depois do evento. “Isso é cerca de 36 milhões de anos depois da previsão baseada nos dados puramente genéticos”, disse Marcelo Weksler, pesquisador brasileiro do Museu Nacional da UFRJ, que participou do estudo quando trabalhava no Museu Americano de História Natural .

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Para reconstruir a anatomia do ancestral, os pesquisadores desenvolveram uma árvore da vida: uma estrutura semelhante às árvores genealógicas, mas que mostra a relação entre as espécies de animais em vez de membros da família. Ao traçar as características comuns entre as espécies mais próximas, os pesquisadores conseguiram descobrir quais as características que o ancestral possuía. Segundo os cientistas, ele pesava entre 6 e 245 gramas, comia insetos, era capaz de escalar e seus filhotes nasciam sem pelos e cegos. O animal possuía um cérebro com córtex complexo e uma placenta na qual o sangue materno circulava em contato com as membranas em volta do feto, como nos seres humanos.

Segundo os pesquisadores, além do resultado obtido, a pesquisa é importante por causa do método desenvolvido, que poderá ser usado para estudar a evolução de uma série de outras espécies.

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