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Peste ataca humanos desde a pré-história, diz estudo

Cientistas ingleses descobriram que a doença afeta população humana há quase 6.000 anos, pelo menos 3.300 anos antes do primeiro registro histórico, no século VI

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 16h00 - Publicado em 23 out 2015, 09h47

A peste extermina milhões de humanos há quase 6.000 anos, muito antes do que se acreditava. De acordo com estudo feito por pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, a doença é responsável pela morte de humanos na pré-história, pelo menos 3.300 anos antes do primeiro registro histórico conhecido da doença, uma peste que atingiu a Europa em 541 e é chamada de “Praga de Justiniano”.

O estudo, publicado no periódico Cell, nesta quinta-feira (22), sugere que a bactéria Yersinia pestis, que causa a peste, era comum, embora possa ter causado um tipo ligeiramente diferente, mas ainda devastador da doença.

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Os pesquisadores, liderados por Eske Willerslev, do departamento de zoologia da universidade inglesa, analisaram o DNA extraído de dentes de 101 adultos que viveram durante a Idade do Bronze (entre 3.300 a.C. e 700 a.C.) no que corresponde hoje à região entre a Sibéria e a Polônia. Em sete desses indivíduos foram encontrados resquícios do micro-organismo – o mais antigo desses adultos morreu há 5.783 anos. Até entanto, a ciência havia obtido evidências moleculares diretas da bactéria em esqueletos de, no máximo, 1.500 anos.

“Descobrimos que a linhagem Y. pestis surgiu e se difundiu muito mais cedo do que se pensava e conseguimos estreitar a janela de tempo de quando ela se desenvolveu”, disse Willerslev. “O estudo muda nossa visão sobre quando e como a peste influenciou populações humanas e abre novas possibilidades para o estudo da evolução das doenças.”

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Transmissão direta – Atualmente, a bactéria se multiplica no organismo das pulgas, que pica os humanos e transmite a doença, que causa inchaço dos gânglios linfáticos e nódulos no corpo. Mas os pesquisadores acreditam que as primeiras versões da peste não eram assim.

Seis das sete amostras de DNA dos esqueletos não contêm dois componentes genéticos das formas modernas da doença. Um desses genes faz com que a bactéria consiga se multiplicar dentro das pulgas – ele ajuda o micro-organismo a “estrangular” o trato digestivo dos insetos, deixando-os famintos e levando-os a picar qualquer animal, espalhando a peste. A outra estrutura genética ajuda o trânsito da bactéria em diferentes tecidos, causando conhecidos efeitos da doença.

Por isso, os pesquisadores acreditam que a forma mais antiga da peste provavelmente afetava os pulmões, causando uma “tosse desesperadora” pouco antes da morte e era transmitida simplesmente pelo fato de respirar perto de pessoas infectadas.

A adaptação da bactéria para o organismo das pulgas parece ter surgido há cerca de 3.000 anos, levando a versões mais agressivas da doença, e contribuindo para migrações humanas em grande escala.

Extermínio – A bactéria é apontada como a responsável por três surtos maciços de peste mataram mais de 25 milhões de pessoas. A primeira é a “Praga de Justiniano”, em 541, seguida pela Peste Negra, que começou na China em 1334 e se espalhou ao longo das grandes rotas comerciais, dizimando cerca de metade da população da Europa. A última pandemia, também conhecida como “Praga Moderna”, surgiu na China em 1850 e matou cerca de 10 milhões de pessoas.

“Nosso estudo muda a compreensão histórica deste patógeno humano extremamente importante e faz com que seja possível que outras supostas pragas, como a peste de Atenas e a peste Antonina, também tenham sido causadas pela Y. pestis“, explicou o co-autor Simon Rasmussen, da Universidade Técnica da Dinamarca.

Os pesquisadores disseram que sua abordagem científica também poderia ser usada para lançar luz sobre outras doenças ao longo da história, mesmo usando material antigo que não apresenta sinais óbvios de doença.

(Da redação)

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