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Pessoas com depressão têm mais dificuldade em diferenciar emoções

Estudo pode contribuir para o desenvolvimento de novas terapias

Algumas pessoas são incapazes de diferenciar as sensações negativas que experimentam, como raiva, ansiedade e culpa, por exemplo. Pelo menos é o que afirma uma pesquisa que será publicada no Psychological Science, periódico da Association for Psychological Science, organização dos Estados Unidos voltada para o avanço da psicologia como ciência. Coordenado por Emre Demiralp, da Universidade de Michigan, o estudo concluiu que indivíduos que sofrem de depressão não conseguem distinguir diferentes tipos de emoções negativas. Essas pessoas, de acordo com Demiralp, têm dificuldades em identificar se estão se sentindo culpados ou com raiva, por exemplo.

“Nós queríamos investigar se as pessoas clinicamente em depressão conseguem identificar emoções com o mesmo nível de precisão e diferenciação que as pessoas saudáveis”, diz Demiralp. Para checar a hipótese, o pesquisador recrutou 106 participantes entre 18 e 40 anos, sendo metade diagnosticada com depressão clínica. Consultados oito vezes ao dia durante uma semana, eles tinham de marcar em um dispositivo portátil diferentes emoções, de um leque de opções disponibilizado pelo aparelho. Dessa forma, eles deveriam dizer em qual nível, de um a quatro, se sentiam tristes, ansiosos, bravos, frustrados, envergonhados, indignados ou culpados (sentimentos negativos); ou felizes, entusiasmados, alertas ou ativos (positivos). Em alguns momentos no dia, o intervalo de tempo entre uma pergunta e outra aos participantes era de apenas dois minutos.

Entre as pessoas com depressão, os pesquisadores observaram um tendência de acusar múltiplas sensações (como frustrado e culpado), com igual nota, em intervalos de tempo muito estreitos. No critério da pesquisa, quanto mais uma pessoa indicava duas emoções ao mesmo tempo, menos ela conseguia distingui-las. Não foi encontrado o mesmo comportamento quando as pessoas diziam sentir emoções positivas.

Seja específico – Para Demiralp e a equipe que levou o estudo adiante, o resultado obtido será importante para estudar a experiência emocional de pessoas clinicamente diagnosticadas com depressão, o que abriria o caminho para o desenvolvimento de mais tipos de terapia no futuro. No artigo, ele escreve que um sexto dos norte-americanos sofre, pelo menos uma vez na vida, de depressão nervosa.

“Nossos resultados sugerem que ser específico sobre suas emoções negativas pode ser bom”, diz Demiralp. “Pode ser melhor que você não pense que está se sentindo mal e desconfortável de forma genérica. Seja específico. É raiva, vergonha, culpa, ou alguma outra emoção? Isso pode fazer com que você melhore sua vida. Nosso objetivo é investigar abordagens para facilitar esse tipo de inteligência emocional em larga escala na população.”