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Pesquisadora brasileira recebe prêmio da Unesco por trabalho com moléculas de água

Marcia Barbosa, física e professora universitária, estuda comportamentos da água que podem ajudar no entedimento de terremotos a doenças

A física brasileira Marcia Barbosa recebeu nesta quinta-feira um dos cinco prêmios L’Oréal-Unesco 2013 para Mulheres e Ciência por sua pesquisa sobre seu trabalho com moléculas da água. O estudo da física pode levar a uma melhor compreensão de diversos processos, desde o surgimento de terremotos até o dobramento de proteínas (processo que converte cadeias lineares de polipeptídeos em estruturas tridimensionais), que é essencial para o tratamento de certas doenças. O prêmio, criado em 1998 e que oferece 100.000 dólares a cada laureada, visa o reconhecimento e a promoção das mulheres no âmbito científico.

Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Marcia chegou à pesquisa de maneira indireta, quando estudava o DNA. Ela se deu conta de que a água apresentava certas ‘anomalias de comportamento’ que deveriam ser levadas em conta em seus estudos, já que repercutiam no resultado final, e começou a investigar essas variações. “Nosso ponto de partida foi nos perguntar por que a água tem comportamentos diferentes dos de outros líquidos”, explicou Marcia, citando como exemplo o fato de que, em sua versão sólida, a água flutua na superfície de si mesma em estado líquido, enquanto um pedaço de ferro afunda se for colocado sobre ferro fundido.

Assim, a professora se deu conta de que tinha que entender a água para poder entender como operavam as moléculas biológicas e o próprio DNA, o que permitiria fazer melhores modelos para os sistemas biológicos e poderia facilitar estudos no campo da medicina.

Além da brasileira, foram premiadas a nigerianaFrancisca Nneka Okeke por sua contribuição ao entendimento das variações cotidianas das correntes iônicas na alta atmosfera, a britânica Pratibha Gai por ter iniciado uma nova técnica de visualização das reações químicas dos átomos, a japonesa Reiko Kuroda, pela explicação da diferença funcional entre moléculas “canhotas” e “destras”, e a americana Deborah Jin, por ter conseguido esfriar as moléculas até que pudessem ser observadas reações químicas lentas.

Minoria – A diretora geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a búlgara Irina Bokova, elogiou em seu discurso as cinco cientistas que, segundo ela, mostram que “a excelência na ciência não está reservada aos homens”. Ela lamentou, no entanto, que as mulheres representem menos de 30% dos físicos, engenheiros e cientistas em nível mundial, e apenas 12% dos postos de tomada de decisões relativos à ciência nas universidades e no setor privado.

“As regras do jogo são feitas pelos homens”, destacou Marcia Barbosa, para quem o estereótipo de pessoa agressiva dos cientistas não se ajusta às mulheres que, segundo ela, fogem de beligerâncias e esperam que alguém as promova ao invés de impor sua candidatura.

O prêmio de Marcia e o das outras quatro cientistas eleva a 77 o número total de premiadas desde o início deste programa da Unesco e da L’Oréal, que conta com uma rede de 1.700 cientistas de 108 países e um programa de mais de 250 bolsas de estudos de pesquisa anuais para favorecer a igualdade de gênero.

(Com Agência Efe)