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Novo ministro da Ciência e Tecnologia tem perfil técnico

Físico Marco Antonio Raupp presidiu a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e estava à frente da Agência Espacial Brasileira

Por Jones Rossi
Atualizado em 6 Maio 2016, 16h48 - Publicado em 18 jan 2012, 20h22

Ao contrário de Aloizio Mercadante, Marco Antonio Raupp, o novo ministro da Ciência e Tecnologia, tem vasta e elogiada experiência no mundo da ciência. Físico por formação, Raupp tem doutorado em matemática pela Universidade de Chicago, foi diretor geral do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) entre 1985 e 1989, diretor do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), de 2001 a 2006, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) entre 2007 e 2010 e atualmente ocupava a presidência da Agência Espacial Brasileira.

Perfil

Marco Antonio Raupp

Marco Antonio Raupp Ministro da Ciência e Tecnologia

Raupp nasceu em 1938, na cidade de Cachoeira do Sul (RS). Formou-se em Física em 1961, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Fez doutorado pela Universidade de Chicago em 1971, e recebeu o título de livre-docente no Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo em 1994.

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De 1980 a 1985 foi pesquisador titular no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), do qual se tornaria diretor no período 2001-2006. De 1985 a 1989 foi diretor geral do Inpe. Por três mandatos presidiu a Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional. Foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) entre 2007 e 2010, e foi nomeado presidente da Agência Espacial Brasileira em 2011.

Agora deixa o cargo para assumir o Ministério da Ciência e Tecnologia.

A nomeação de Raupp recoloca um técnico no comando do Ministério da Ciência e Tecnologia. Nas últimas décadas, ocuparam o cargo desde cientistas, como o físico José Goldemberg (1990-1991, no governo Collor) e o engenheiro com doutorado pelo MIT Sérgio Rezende (2005-2010), até políticos de carreira, como Eduardo Campos, atual governador de Pernambuco, e o próprio Aloizio Mercadante, que agora assume o Ministério da Educação.

A indicação de Raupp foi bem recebida por outros cientistas. “Foi uma excelente escolha. Ele já vinha fazendo um bom trabalho de reestruturação da Agência Espacial Brasileira”, diz Helena Nader, atual presidente da SBPC. “Mas ele tem grandes desafios pela frente: aumentar o orçamento do ministério e tentar mudar a nossa legislação no que se refere à ciência. Hoje temos uma legislação anticiência, inadequada para um país que é a sexta economia do mundo.”

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Para Claudio Melo, astrônomo do ESO (European South Observatory – Observatório Europeu do Sul, que opera telescópios no Chile) há 10 anos, foi uma boa escolha. “Ele é um cientista e conhece bem a astronomia. Já participou do conselho técnico e cientifico do Laboratório Nacional de Astrofísica, foi diretor do INPE e presidente da AEB. Ele terá o conhecimento para avaliar o momento histórico e a oportunidade única para a ciência brasileira.”

“Sua proximidade com o mundo acadêmico é um importante diferencial em relação a Mercadante”, acrescenta outro astrônomo, sem se identificar. “É bom ter alguém que que conhece os problemas das atividades científicas, como infraestrutura, financiamento, e sabe como se organizam os grupos de pesquisa.”

(Com reportagem de Marco Túlio Pires)

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