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Nova York quer proibir bebidas doces e refrigerantes em doses generosas

Por Por Brigitte Dusseau - Atualizado em 6 maio 2016, 16h35 - Publicado em 31 maio 2012, 19h05

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, anunciou nesta quinta-feira que planeja proibir a venda de bebidas doces e refrigerantes com mais de meio litro em restaurantes e salas de cinema, uma iniciativa sem precedentes para combater a obesidade nos Estados Unidos.

Esta medida também se aplicaria aos vendedores ambulantes e aos estádios, mas não aos supermercados.

“Há uma epidemia neste país de gente gorda demais e o percentual da população obesa disparou. Temos que fazer alguma coisa”, disse Michael Bloomberg à emissora MSNBC, acrescentando que estudos científicos demonstram que quando as porções são pequenas, consome-se menos.

As pessoas poderão comprar dois refrigerantes de 470 ml se quiserem beber mais, acrescentou.

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Há 30 anos, lembrou, a dose padrão para os refrigerantes era 200 ml. Depois, aumentou para 350 ml e mais tarde, para 470 ml. Hoje, não é raro ver jovens americanos com copos de refrigerante de quase um litro.

Segundo o prefeito, mais da metade dos adultos de Nova York (58%) são obesos ou estão acima do peso, e este problema também afeta 40% das crianças das escolas públicas.

O consumo de bebidas doces, com frequência mais baratas do que a água mineral e cujos copos grandes não são tão mais caros do que os pequenos, é uma das causas apontadas do problema.

No final do ano passado, a prefeitura lançou uma campanha de sensibilização sobre o tema, destacando que 600 ml de refrigerante por dia equivalia a 22 quilos de açúcar ao ano.

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As crianças, segundo Bloomberg, consomem em média três bebidas doces por dia. Trinta por cento dos adultos em Nova York bebem pelo menos uma por dia.

Ele informou que a obesidade, que também aumenta a incidência de diabetes, causa a morte de mais de 5.000 adultos ao ano na cidade, quase tantas quanto o tabagismo (7.000), e custa bilhões de dólares em cuidados médicos.

As novas recomendações de Bloomberg, que não se aplicam aos sucos de frutas e bebidas light, provocaram a reação, nesta quinta-feira, da Associação de Bebidas da Cidade de Nova York (New York City Beverage Association), cujo porta-voz denunciou um excesso de zelo.

Para alguns nova-iorquinos, o prefeito talvez esteja sendo exagerado.

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“Temos a obrigação de adverti-lo quando as coisas não fazem bem para a sua saúde”, respondeu Bloomberg. Depois, “você tem a responsabilidade de se cuidar”.

O objetivo declarado da prefeitura é que, em 2016, o percentual de adultos que consomem uma bebida doce por dia passe de 30% a 20%.

Se a recomendação de Bloomberg for aprovada pela comissão de saúde da cidade, vendedores de refrigerantes e bebidas doces terão nove meses para se adaptar.

O limite de 470 ml poderá entrar em vigor em março do ano que vem.

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