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Nível dos oceanos tem a maior taxa de crescimento dos últimos 3.000 anos

De acordo com quatro novos estudos, a emissão de gases de efeito estufa pelo homem fez com que a temperatura terrestre e o nível dos oceanos aumentassem em ritmo assustador nos últimos séculos

Por Da Redação - Atualizado em 6 maio 2016, 15h58 - Publicado em 24 fev 2016, 20h35

O nível dos oceanos teve a maior taxa de crescimento dos últimos 3.000 anos, um fenômeno ocasionado pela emissão humana de gases do efeito estufa. De acordo com quatro novos estudos, publicados na última edição da Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), a emissão de gases de efeito estufa fez com que a temperatura terrestre aumentasse e, consequentemente, os níveis do oceano ao redor do mundo se elevassem em taxas assustadoras. De acordo com os cientistas, se nada for feito para barrar o aumento do nível dos oceanos, enchentes e catástrofes ambientais podem ser ainda mais comuns no futuro.

“A elevação do nível no século XX foi extraordinária no contexto dos três últimos milênios – e o aumento durante as duas últimas décadas foi ainda mais veloz”, disse Robert Kopp, cientista da Rutgers University, nos Estados Unidos, e líder de um dos estudos.

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Novas estatísticas – No primeiro estudo, uma equipe internacional de especialistas, liderada por Kopp, percebeu que o oceano era bastante sensível a qualquer mudança climática, desde as mais sutis variações até as grandes elevações ou quedas de temperatura. Por meio de uma série de cálculos estatísticos, a equipe descobriu que a temperatura terrestre e o nível dos oceanos estão diretamente relacionados: quando a temperatura da superfície terrestre é reduzida o nível dos oceanos também baixa.

Durante a Idade Média, as regiões de terra sofreram resfriamento e o nível dos oceanos foi reduzido. No século XIX, com o início da era industrial e das emissões de carbono, o nível dos oceanos aumentou. No século seguinte, no entanto, a elevação no nível dos oceanos foi a mais rápida registrada nos últimos 27 séculos. As projeções da equipe revelam que, no futuro, o nível das águas poderá aumentar entre 50 centímetros e 1 metro.

“O gelo derrete mais rápido quando a temperatura aumenta. É física básica”, disse Stefan Rahmstorf, professor de física oceânica do Potsdam Institute for Climate Impact Research, e coautor do estudo.

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O segundo estudo publicado no periódico confirmou as projeções sobre o futuro do nível dos oceanos e o terceiro estudo detalha como a emissão de gases de efeito estufa poderá interferir nos níveis dos oceanos da Terra. Os pesquisadores criaram um novo método, mais préciso e confiável para realizar estimativas dos mantos de gelo – descrito em um estudo adicional – e descobriram que talvez a parte dos oceanos mais afetada pelas mudanças climáticas seja o manto de gelo na superfície dos mares.

Ao realizar análises de dados, a equipe percebeu que, durante o Mioceno, período entre 23,8 milhões e 5,3 milhões de anos atrás, o manto gelado mudava constantemente sua espessura, devido a pequenas alterações no nível de dióxido de carbono na atmosfera. Na época, as temperaturas eram elevadas, semelhante as que são projetadas pelos cientistas para o futuro.

“Com todo o gás de efeito estufa que nós já emitimos, não podemos impedir que o nível dos oceanos aumente, mas podemos reduzir substancialmente a taxa deste aumento se pararmos de utilizar combustíveis de origens fósseis”, disse Anders Levermann, pesquisador do centro de pesquisas climáticas Potsdam Instutute for Climate Impact Reasearch, na Alemanha.

(Da redação)

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