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Mordida eficiente ajuda a explicar por que ratos e camundongos se espalharam pelo planeta

Formato do crânio e distribuição de músculos na mandíbula confere às duas espécies mais habilidade que outras especializadas apenas em roer ou em mastigar

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 16h38 - Publicado em 30 abr 2012, 08h30

Entre roídas e mastigadas, camundongos e ratos possuem o melhor desempenho entre os roedores. São melhores que os esquilos, considerados especialistas em roer e que os porquinhos da índia, bons de mastigação. Isso ajudaria a explicar por que ratos e camundongos são uma das pestes mais comuns do mundo. A pesquisa feita na Universidade de Liverpool, na Inglaterra, foi publicada no periódico PLoS ONE.

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EVOLUÇÃO DOS ROEDORES

Há 56 milhões de anos, os roedores têm adaptado o crânio e os músculos da mandíbula em uma corrida evolucionária. O grupo de roedores que inclui o esquilo, chamado ciuromorfos, se especializou em adaptações relacionadas à atividade de roer. Outro grupo, chamado histricomorfos, que inclui o porquinho da índia, escolheu a mastigação. Os miomorfos, que incluem os ratos e camundongos, se adaptaram às duas atividades: roer e mastigar.

Os ratos conseguem tanto roer quanto mastigar com eficiência. Outras espécies de roedores se especializaram em uma coisa ou outra. O esquilo, por exemplo, é especialista em roer, enquanto que o porquinho da índia se especializou em mastigar.

Para comparar os diferentes tipos de mordidas entre os roedores, os pesquisadores criaram uma simulação no computador. Nela, foi possível analisar como o formato do crânio e o arranjo dos músculos tem papel fundamental para o sucesso da mordida de ratos e camundongos.

Os pesquisadores descobriram que os músculos na cabeça do rato aumentam a eficiência da mordida, permitindo roer e mastigar com mais sucesso que espécies especializadas em um dos dois métodos. “Esperávamos que os ratos criados no computador fossem mais versáteis, mas menos efetivos que o esquilo e o porquinho da índia”, disse Philip Cox, coautor do estudo. “Não se espera que um nadador triatleta derrote, por exemplo, um nadador especialista em 1.500 metros.”

O estudo mostrou, no entanto, que a forma como os músculos dos ratos se adaptaram através do tempo aumentou a habilidade de mastigar. “Isso ajuda a explicar por que ratos e camundongos conseguiram se adaptar tão bem, com hábitos alimentares versáteis que os permitem comer eficientemente uma vasta gama de materiais”, disse Cox.

O estudo também envolveu pesquisadores das universidades de Hull e Bristol, ambas no Reino Unido, Universidade de Shinshu, Japão, e colaboradores do Museu Nacional de História Natural, em Paris.

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