Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Meta de Copenhague para conter emissões não é suficiente

Compromissos assumidos em 2010 em caráter voluntário representam apenas 60% do corte necessário, segundo estudo divulgado pelas Nações Unidas

Por Da Redação - Atualizado em 6 maio 2016, 17h12 - Publicado em 23 nov 2010, 21h12

Um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado hoje, calculou diferentes cenários para 2020 conforme os países cumpram mais ou menos as metas assumidas em caráter voluntário em Copenhague, no ano passado, durante a 15ª Convenção sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas, a COP-15. Resultado: mesmo que cumpridas integramente, as metas responderiam por apenas 60% do corte de emissões de gases do efeito estufa necessário para evitar o aquecimento do planeta além de dois graus centígrados acima dos níveis pré-industriais.

O estudo foi conduzido por 30 cientistas de 25 países e é divulgado às vésperas da COP-16, que começa no dia 29, em Cancún, no México.

A pesquisa estima que a conta global da emissão de gases do efeito estufa em 2020 deva ficar abaixo de 44 bilhões de toneladas de CO²-equivalente (o que inclui, além do gás carbônico, metano e óxido nitroso). Se as metas foram todas cumpridas, a projeção para 2020 é de 49 bilhões de toneladas, ou seja, 5 bilhões a mais. Caso os países cumpram compromissos menos ambiciosos, o total sobe para 53 bilhões de toneladas. Se nada for feito, a conta vai a 56 bilhões de toneladas, ou 12 bilhões a mais.

“Há uma distância entre entre a ciência e as atuais ambições”, diz Achim Steiner, diretor-executivo do Pnuma. Ainda assim, acrescenta, cumprir com os compromissos de Copenhague é “um bom primeiro passo”. O encontro de Copenhague foi considerado um grande fracasso, uma vez que resultou em metas não-obrigatórias. Mas para Steiner, se alcançados compromissos voluntários, “o encontro de Copenhague pode se provar um sucesso”.

Publicidade