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Inédito e curioso: pesquisadores medem ritmo cardíaco da baleia azul

Frequência se aproxima do limite máximo imposto pela biologia, para qualquer ser vivo, e é uma das explicações para esse ser o maior animal da Terra

Por Sabrina Brito 27 nov 2019, 17h17

De forma completamente inédita, cientistas registraram a frequência cardíaca de uma baleia azul na natureza. O estudo foi publicado nesta semana, na segunda-feira (25), no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences.

Liderado por pesquisadores da Universidade de Stanford (EUA), o trabalho buscou medir os sinais vitais daquele que é o maior mamífero do mundo. O objetivo era entender como o coração desse gigantesco animal consegue permitir que ele faça as mais diferentes proezas, como prender a respiração por mais de 15 minutos seguidos e disponibilizar energia suficiente para a caça. Dadas as dimensões da baleia azul, que pode chegar a 30 metros de comprimento e 173 toneladas de peso (correspondente a aproximadamente 17 caminhões ou 28 elefantes), estima-se que seu sistema cardiovascular atinja o limite do que é biologicamente possível para qualquer ser vivo na Terra.

Segundo o estudo, um dos fatores que permite que esses animais sejam tão grandes é o coração, altamente especializado e potente. Por isso os cientistas tiveram a ideia de investigar a frequência cardíaca de uma baleia azul em alto mar.

Para alcançar a meta, os pesquisadores conectaram um dispositivo ao lado da nadadeira de um desses animais, na Califórnia (EUA). O aparelho registrou o ritmo cardíaco do mamífero enquanto ele mergulhava a 184 metros de profundidade e afundava por quase 17 minutos consecutivos.

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Foi constatado que, assim como o nosso, o sistema cardiovascular da baleia varia entre momentos de bradicardia (ritmo lento) e taquicardia (ritmo acelerado). Assim, o coração do mamífero recorre a um ou a outro ritmo de acordo com o que o organismo exige no momento.

Quando o animal ia até a superfície, sua frequência cardíaca alcançava entre 25 e 27 batimentos por minuto (bpm), em média, instante de taquicardia durante o qual o mamífero reabastecia seu corpo com oxigênio. Já durante mergulhos profundos, o ritmo caía para 4 a 8 bpm, intensa bradicardia (para fins de comparação, a frequência cardíaca normal em repouso para humanos está entre 60 a 100 bpm). É essa baixa frequência que permite que o animal conserve a quantidade de oxigênio em seu sangue, o que a deixa permanecer debaixo d’água por longos períodos.

O que realmente surpreendeu os cientistas foi a intensidade da bradicardia observada, que foi de 30 a 50 vezes maior do que o esperado. Por outro lado, em relação aos instantes de taquicardia, os pesquisadores afirmam que deve se tratar do limite de frequência cardíaca “permitido” pela biologia, o que explicaria o porquê desse ser o maior animal existente no planeta.

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